quarta-feira, 21 de setembro de 2016

FLASHING PENDULUM

Texto de autoria de Alceu Natali, Concepção de Ana Carolina Natali, minha filha de apenas 10 anos de idade.  

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


As pêndulas orvalhadas despertam o dia, Revelam a pulsação da vida, Na toada musical das horas, Ísis, Invisível, Junta fragmentos desconstruídos de Osíris, Set retorna verde, Com um bastão, Para bater, Choro, Horus, Póstumo e imperceptível como a mãe, Como um veloz tufão em quebradas ínvias, Desaparece-o, Entroniza no ar esferas multicoloridas, Tremeluzindo e crescendo, Preenchendo todos os cantos do espaço, Bailando formas infinitas, Cerro meus olhos a elas, Amando nelas minha própria beleza, Na escuridão elas parecem canas, De doces verdes, Estendendo-se num plantio, Disformes e ondeantes bailadeiras que acompanham o alcance de minha visão, Sem perderem-se em suas fascinantes figurações, Assim como estes meus verdes anos que me retém, E nesta mesma dança undosa, Falta de luz, Vento, E frio, As bolas verdoengas amadurecem bolas roxas, Fazendo toda sorte de acrobacias, Até passarem-me pelo sono, E acordada, Vejo um gato preto saltar dum armário, Vindo a mim rastejando como cobra, Enquanto um gato branco enfia-se num casaco, Me desatenta, E o preto me chega sem olhos, Pisco, Horus subtrai-o, Na velhice de um homem antigo, Em preto e branco, De chapéu e bigode, Gravata vermelha, Pisco, Horus some-o, Na antiguidade de Mona Lisa, De cabelo longo e negro, Vestida de esmeralda, Preocupada, Pisco, Horus esconde-a, Na antigualha de uma menina de oito anos, Vestida de boneca, Segurando um urso de pelúcia rosa, Todo costurado, Pisco, Ela Some, Pisco, Ela volta, Sorri, O urso de pelúcia sangra negro pela boca, O gato preto volta e se senta entre minhas pernas, Pisco, Horus leva-o, Pisco, Horus o traz mais perto, Fala estrangeirado, Chegou sua hora, E extravia-se, E meus pais me chamam para sair, No bosque em frente à minha casa, Surgem o homem antigo e a mulher Mona Lisa, Abrindo caminho por entre o matagal, Sangrando negro, A mulher descabelada, O homem com a cartola estragada, Cheia de folhas, Entro no carro e sinto a presença do gato preto, É o mesmo do armário, O mesmo que sempre surge com meus olhos abertos ou fechados, Ísis, Ainda Invisível, Me consola, Aqui jaz o gatinho Butters, Leal de verdade, Queria salvar a criança, Mas não conseguiu, Era tarde demais, A casa estava em chamas, Butters cruzou a rua, Foi atropelado por um carro, E morreu, O homem antigo e a mulher Mona Lisa não se importaram, Mas triste ficou a menina boneca, Que acariciava Butters nas costas, Se salvou, Butters não ficou sabendo, Mas você ficou.