terça-feira, 27 de setembro de 2016

SAUDADE


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98

Pouco ou muito eu faça, A ressonância de uma cantiga sentida, Embalando seu último olhar, Me segue por toda a vida, De pouca valia, Para quem não tem senão dias e noites, Dias que foram só seus, Vivendo e trabalhando a plena luz, Sendo-me dado somente ver nascendo, O sol claro, Seu amigo de heróis anônimos, Noites que ainda são minhas, Incriminatórias e irrespondíveis, Debruçadas sobre sua lembrança, Tornaram-me a saudade, A única companheira que pude te oferecer, Que punge, Não me consola, Nem me perdoa, Pouco ou muito eu pense, O silêncio das lágrimas derramadas, Pedindo-me para te abraçar, Enlutam seus dias venturosos, De muito valor, Para quem nunca teve senão todas as horas para os outros, Sem ninguém que lhe trouxesse de volta ao lar, Onde seus sorrisos meu tempo não vivido em plenitude obliterou, E sempre ao me deitar, Pergunto-me, Que caminhos terá sua alma percorrido para chegar onde está, Que caminhos há para se chegar ao santuário que só pode ter te acolhido com o mesmo amor que você doou, Sempre de olhos abertos e atentos, Enquanto cerro os meus, Pego no sono e com você tenho meus sonhos, Indagando se estou vivendo nos seus, Se minhas preces ajudam-lhe a esquecer o que não fui para você.

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