sábado, 1 de outubro de 2016

OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS: PALESTRA ESCRITA NOS EUA E MINISTRADA EM SÃO PAULO

Na foto o americano Dr. J. Allen Hynek e o francês Jacques Vallée

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. 

De volta à terra do Obama, sempre a trabalho, encontro ensejo para falar de um assunto polêmico, mas tão relegado ao último de todos os planos quanto o desinteresse do cidadão comum por astronomia. ‘Está tão difícil ganhar a vida aqui na terra, por que eu iria preocupar-me com duas galáxias há bilhões de ano-luz que estão prestes a se chocar?’ Não pretendo aqui fazer um simples resumo sobre o fenômeno, mas apenas dar minha opinião sobre o assunto, com base no meu contato pessoal com os dois únicos cientistas do mundo que trataram o assunto de forma séria e científica e com base nas minhas pesquisas de quase trinta anos. O fenômeno é mundial, mas foi aqui, nos EUA, onde ele parece ter, verdadeiramente, nascido. É neste país onde se registra o maior número de relatos destes OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS (ÓVNIS), popularmente chamados de ‘discos voadores’. O assunto é tão intrigante a ponto de merecer a atenção do famoso psiquiatra Carl Jung, que escreveu, em 1958, um livro especialmente dedicado aos UFOS (UNIDENTIFIED FLYING OBJECTS - ÓVNIS), sob o título UM MITO MODERNO SOBRE COISAS VISTAS NO CÉU. Logicamente, Jung não tratou da possibilidade científica de tais objetos existirem de verdade, mas apenas sobre os efeitos psíquicos que eles causam nas pessoas que dizem terem visto tais objetos.
Os primeiros sinais da existência de tais objetos apareceram, na verdade, nos céus da Europa, no final da segunda guerra mundial, quando aliados em combate aéreo na Alemanha se viam cercados por estranhas bolas de fogos que eles chamavam de FOO FIGHTERS (COMBATENTES DE FOGO) e que foram atribuídas aos Russos.

O assunto ganhou popularidade e provocou frenesi nos EUA quando o empresário e piloto particular, Kenneth Arnold, disse que, durante um voo, avistou nove objetos não identificados, voando em formação, no dia 24 de Junho de 1947 (GUARDEM ESTE ANO NA MEMÓRIA). Ao falar com a imprensa, ele não usou o termo DISCO VOADOR, mas apenas tentou descrever, à sua maneira, como eles se pareciam: PIRES, DISCO, PRATO, etc. Acrescentou, também, que os objetos faziam movimentos semelhantes àqueles quando atiramos uma pedra achatada na superfície de um lago e ela desliza sobre a água saltitando. Um dos jornalistas presentes sintetizou o que Arnold vira: FLYING DISC ou FLYING SAUCER (DISCO ou PIRES VOADOR), e o nome pegou.

Depois deste relato de Arnold, os EUA foram palco da maior onda de relatos de ÓVNIS já registrados na história. E, para apimentar ainda mais a opinião e temor públicos, APENAS 14 dias depois do relato de Arnold, habitantes da cidade de ROSWELL, no Estado do NOVO MÉXICO, viram um ÓVNI cair e se espatifar numa propriedade rural. Um fazendeiro encontrou todos os destroços do DISCO VOADOR e relatou tudo à imprensa. O incidente chegou aos ouvidos de um oficial da Força Aérea Americana de Roswell, chamado Walter Haut, e este enviou uma nota à imprensa informando que o governo americano havia capturado um disco voador. E logo se espalhou a notícia de que havia cinco ou sete ocupantes, mortos. No dia seguinte, o principal jornal de Roswell publicou na primeira página: EQUIPE DE TERRA DA FORÇA AÉREA CAPTURA UM DISCO VOADOR NUM RANCHO DE ROSWELL. Ao tomar conhecimento da notícia veiculada no jornal, oficiais do governo americano convocaram uma reunião com a imprensa para desmentir Walter Haut e afirmar que o que ele viu foi apenas os restos de um balão meteorológico e que, muitos anos mais tarde, seria esclarecido pelas autoridades tratar-se de um projeto secreto chamado MOGUL. Até hoje, nenhuma autoridade americana conseguiu provar que o objeto que caiu em Roswell em 1947 era apenas uma balão ou uma arma secreta dos EUA. O INCIDENTE ROSWELL entrou para a história como o caso mais convincente e factual sobre a existência destes ÓVNIS e deu origem a ideia de que os mesmos são visitantes extraterrestres por causa do boato de que o ÓVNI acidentado era pilotado por cinco ou sete seres humanoides. E 1947 entrou para a história como sendo o ano em que os ÓVNIS chegaram à terra em massa. As autoridades americanas abafaram o caso, e a vida continuou, com um aumento crescente de tais objetos em todo mundo.

Apesar do categórico e até irônico desmentido do Oitavo Comando da Força Aérea Americana incumbido do caso ROSWELL, CURIOSA e COINCIDENTEMENTE, a FORÇA AÉREA AMERICANA criou, em Setembro desde mesmo ano de 1947, um projeto especial para investigar ÓVNIS, chamado SIGN (SINAL). No dia 11 de Fevereiro de 1949 o nome do projeto foi substituído por GRUDGE (RANCOR). Finalmente, em 1951, o projeto ganhou um novo e definitivo nome que o tornaria famoso: BLUE BOOK (LIVRO AZUL). Os nomes em códigos não têm nada de especial.

De 1951 a 1969 o programa LIVRO AZUL teve sede na Base da Força Aérea de Wright-Patterson no Estado de Ohio. Os militares precisavam contratar profissionais de diferentes áreas, inclusive um astrônomo para analisar relatos de fenômenos astronômicos, meteoros, planetas, estrelas pulsantes e outras ocorrências naturais confundidas com ÓVNIS. O Dr. J. Allen Hynek era diretor do observatório McMillin da Universidade Estadual de Ohio e foi convidado para participar do projeto APENAS porque ele era um astrônomo que trabalhava perto da base Wright-Patterson.

Hynek, assim como todos os cientistas de sua época e dos dias de hoje, achava que estes relatos de ÓVNIS eram pura histeria do pós-guerra, histórias ridículas contadas por pessoas não confiáveis, mesmo assim ele aceitou o convite por ser uma oportunidade para ele mostrar os métodos utilizados pela ciência para desmistificar falsas crenças. No final das contas, Hynek acabou trabalhando para a Força Aérea durante 22 anos como consultor científico, e de cético passou a ser um crente sem jamais deixar de ser um CIENTISTA. E ele não se limitou a analisar fenômenos astronômicos. Fez trabalho de campo, investigando supostas marcas deixadas por ÓVNIS no solo e entrevistando pessoas que disseram terem sido abduzidas e examinadas pelos ‘tripulantes’ de ÓVNIS, via de regra, os famosos seres cinzas de pouco mais de um metro de altura e que já fazem parte do folclore UFOLÓGICO e HOLLYWOODIANO. Foi com base nesta longa e diversificada experiência com relatos de ÓVNIS que Hynek criou, pela primeira vez, uma metodologia para classificar os diferentes tipos de relatos e que ele publicou no seu livro THE UFO REPORT (O RELATÓRIO SOBRE ÓVNI) em 1972. Ele catalogou seis tipos de relatos básicos:

DAYLIGHT DISCS (DISCOS DIURNOS). Relatos destes objetos em forma de disco vistos a olho nu nos céus durante dia.
NOCTURNAL LIGHTS (LUZES NOTURNAS). Relatos de luzes vistas no céu à noite e que PODERIAM ser os mesmos ÓVNIS vistos durante o dia.
RADAR VISUAL (RADAR-VISUAL). Relatos de discos vistos a olho nu durante o dia e, simultaneamente, detectados num radar, o que, em tese, PROVA que os ÓVNIS são OBJETOS SÓLIDOS e não apenas ilusões  ópticas.
CLOSE ENCOUNTERS OF THE FIRST KIND (CONTATOS IMEDIATOS DO PRIMEIRO GRAU). Relatos de ÓVNIS bem próximos, permitindo ver características tais como forma, cor e movimentos.
CLOSE ENCOUNTERS OF THE SECOND KIND (CONTATOS IMEDIATOS DO SEGUNDO GRAU). Relatos de ÓVNIS que deixaram provas de suas presenças, tais como marcas no solo e na vegetação.
CLOSE ENCOUNTERS OF THE THIRD KIND (CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU). Relatos de ÓVNIS e seus OCUPANTES (TRIPULANTES).

Este livro foi escrito como uma resposta de Hynek ao encerramento do projeto LIVRO AZUL em 1968 por recomendação do RELATÓRIO CONDON, um estudo encomendado pela Força Aérea dos EUA junto à Universidade do Colorado. O famoso relatório concluiu que não valia a pena continuar pesquisando ÓVNIS porque eles não representavam nenhuma ameaça à segurança nacional do país. Talvez este tenha sido o principal motivo para a criação do projeto em 1947. Um problema que contradiz este objetivo foi o fato de que as autoridades prometeram, desde o início, que o público teria acesso às investigações e seus resultados, mas isto nunca aconteceu. Se os ÓVNIS eram assim tão desinteressantes, por que não deixar o público ter acesso às pesquisas de 22 anos destes IRRELEVANTES OBJETOS VOADORES? Este mistério terminou em 1975 quando, com base na Lei de Liberdade de Informação, todos os arquivos do projeto LIVRO AZUL foram colocados à disposição do público nos Arquivos Nacionais de Washington. Hynek aproveitou o momento para escrever um segundo livro, HYNEK UFO REPORT (RELATÓRIO SOBRE ÓVNI DE HYNEK), no qual ele discute vários casos de relatos INSOLÚVEIS.

Hynek tornou-se o primeiro e ÚNICO CIENTISTA a escrever sobre o fenômeno ÓVNI SÉRIA e CIENTIFICAMENTE. Depois dele, a única pessoa que pode ser levada a sério é o Francês Jacques Vallée de quem falarei mais adiante. Hynek sempre pesquisou os ÓVNIS sem qualquer associação destes objetos com uma possível origem extraterrestre. Como todo cientista sério, Hynek queria, em primeiro lugar, determinar O QUE SÃO estes objetos. Após o encerramento do projeto LIVRO AZUL Hynek continuou pesquisando os ÓVNIS por conta própria e criou um centro de pesquisas chamado CUFOS (Center for UFO Studies), sem fins lucrativos e financiados por contribuições espontâneas de pessoas físicas e jurídicas. Eu contribuí com uma assinatura do boletim mensal deste Centro de Estudos de 1973 a 1986, ano no qual Hynek faleceu aos 75 anos de idade.

Hynek discordou, veementemente, das conclusões do Relatório Condon, mas nunca saiu por ai pregando teorias de conspiração e acobertamento por parte de governo americano. Sua maior queixa era o inexplicável desprezo dos responsáveis pelo programa LIVRO AZUL, assim como de seus colegas cientistas, pelo grande número de casos de relatos de ÓVNIS que  permaneceram INEXPLICÁVEIS para os próprios autores do Relatório Condon. 

Em 1977, o produtor cinematográfico, Steven Spielberg, resolveu fazer um filme sobre ÓVNIS e alienígenas e convidou Hynek para ser seu consultor técnico. O filme é de ficção e Hynek foi convidado por sua longa experiência nas pesquisas de ÓVNIS e, sobretudo, por ser a única autoridade séria e com conhecimentos profundos sobre o fenômeno. Hynek colaborou  com informações sobre como as pessoas comportavam-se cada vez que um ÓVNI era avistado, não simplesmente por um civil, mas também por uma autoridade. Spielberg pediu a Hynek para que ele lhe desse permissão para dar como título do filme uma de suas categorias de relatos de ÓVNIS e é por isso que o filme chama-se CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU. Hynek faz uma rápida aparição no final do filme, de barba e segurando um cachimbo, quando os alienígenas desembarcam da ‘nave mãe’.

Em 1978, Hynek fez um pronunciamento na Assembleia Geral das Nações Unidas, pedindo para que fosse formada na ONU uma única autoridade mundial a cargo das pesquisas científicas sobre os ÓVNIS. Neste mesmo ano, eu assisti a um seminário de Hynek sobre ÓVNIS de três noites seguidas. Os mais fanáticos que esperavam ouvir revelações bombásticas decepcionaram-se. Hynek manteve uma postura extremamente científica e descartou completamente a possibilidade de uma origem extraterrestre dos ÓVNIS. No final do seminário, consegui uma entrevista com ele e, aproveitei para colher seu autógrafo nos dois livros que ele escreveu, já mencionados acima, e que na época estavam disponíveis somente em inglês. Nunca me esqueci da primeira coisa que Hynek me disse: ‘Se eu lhe disser de onde eles são estarei mentindo para você porque nem eu mesmo sei O QUE ELES SÃO’. Hynek disse-me que os ÓVNIS EXISTEM, mas ninguém sabe o que eles são, nem mesmo o governo americano. Hynek sempre evitou falar em público sobre o caso ROSWELL que foi reaberto nos anos setenta com depoimentos de várias testemunhas. Ele confirmou que 95% dos relatos, fotos e vídeos sobre ÓVNIS são falsos, mas 5% deles são enigmáticos e inexplicáveis. Ele mesmo teve a oportunidade de investigar CENTENAS destes 5% de casos intrigantes. Para Hynek, a prova incontestável de que os ÓVNIS existem é o fato de que eles foram detectados VÁRIAS VEZES nos radares, e ele mesmo foi testemunha de um caso destes na base de Wright Petterson. Hynek disse-me que um dia um ÓVNI foi detectado no radar da base, em plena luz do dia, e, imediatamente, dois caças saíram no seu encalço e o alcançaram. Apenas um caça continuou a perseguição próximo da velocidade do som. Hynek disse que ele entrou na sala de radar da base sem permissão mas, por causa do alvoroço que a aparição do ÓVNI causou, não só ele, mas várias pessoas não autorizadas entraram na sala de radar. Hynek VIU o caça e o ÓVNI no radar. Hynek ouviu o piloto do caça descrever o ÓVNI à base em terra: ‘Ele tem forma de disco, é prateado, não tem som, não solta fumaça, não tem portas, nem janelas, voa em velocidade constante. Está bem à minha frente e posso derrubá-lo com um míssil’. Antes de receber autorização para atingir o ÓVNI, a base pediu ao piloto para se comunicar com o ÓVNI e pedir a ele para descer imediatamente por estar invadindo o espaço aéreo dos EUA. O piloto fez três tentativas, sem nenhum sucesso e, então, recebeu autorização para derrubar o ÓVNI. Quando o míssil foi disparado, o ÓVNI dividiu-se em DOIS, DO MESMO TAMANHO, FORMA E COR, SEM PERDER MASSA, e os dois continuaram voando na mesma velocidade constante, à frente do caça, e o míssil passou no meio dos dois. Hynek viu no radar OS TRÊS, o caça e os dois ÓVNIS. Antes de receber nova ordem da base, os dois ÓVNIS arremeteram verticalmente numa velocidade espantosa e desapareceram do radar e do contato visual do piloto. Hynek perguntou-me: ‘O que é isso? Desafia nossas leis da física! E para que fazer isso?’ Esta é uma das razões pelas quais Hynek não acreditava na hipótese extraterrestre, e disse-me em seguida: ‘Eu não acredito que uma civilização muito superior à nossa viria de tão longe, desafiando tudo que conhecemos, apenas para brincar conosco, assustar carros nas estradas, perseguir aviões, fazer malabarismos no ar, ser flagrado no solo’. Então, perguntei-lhe: ‘Certamente existe INTELIGÊNCIA por trás dos ÓVNIS, não?’. ‘Sim’, respondeu Hynek, ‘existe INTELIGÊNCIA, e este aspecto deve ser levado mais a sério ainda, tendo-se em conta que a maioria daqueles 5% de relatos não solucionados foram feitos não apenas por civis de comprovada idoneidade, mas também por pessoas treinadas: astrônomos, pilotos de avião, policiais e militares’.

Hynek permaneceu confuso sobre a origem dos ÓVNIS até sua morte. Ao mesmo tempo em que ele acreditava na existência física dos ÓVNIS, como provaram os radares, e numa inteligência por trás desses objetos, como ele pode comprovar através da investigação minuciosa de vários relatos feitos for pessoas fidedignas, ele passou a considerar a hipótese de uma inteligência EXTRA DIMENSIONAL, uma tecnologia que combina o físico e o psíquico, o mundo físico e o mental. Hynek sustentou essa hipótese com os exemplos de relatos de materialização e desmaterialização de ÓVNIS na frente de observadores, de fotos de ÓVNIS que aparecem num negativo e desaparecem noutro, mudança súbita de forma dos ÓVNIS, comunicação telepática nos casos de contatos imediatos do terceiro grau nos quais os supostos alienígenas parecem estar à vontade na atmosfera e gravidade da terra, o silêncio absoluto da natureza em torno de um ÓVNI avistado no solo, levitação de pessoas e objetos, etc. Hynek perguntava-se: ‘Estamos diante de DOIS aspectos de um fenômeno ou DOIS fenômenos distintos?’

A teoria EXTRA DIMENSIONAL foi a última defendida pelo francês Jacques Vallée, o outro cientista tão SÉRIO quanto Hynek nas pesquisas sobre ÓVNIS. Vallée é matemático, astrofísico e cientista da computação. Mudou-se para os EUA no início dos anos 60 e trabalhou em projetos da NASA (ele fez o primeiro mapeamento do planeta Marte para os americanos). Vallée interessou-se pelos ÓVNIS e estudou-os a fundo, incentivado pelo seu mentor, Hynek, com quem escreveu um livro em parceria. Ao contrário de Hynek, Vallée iniciou suas pesquisas partindo do princípio de que os ÓVNIS são naves vindas de outros planetas, mas, com o decorrer do tempo, convenceu-se de que a teoria extraterrestre não se coadunava com as evidências encontradas em milhares de relatos. Vallée passou a considerar os ÓVNIS como parte da mesma fenomenologia que inclui cultos, movimentos religiosos, demônios, anjos, fantasmas, visões crípticas e fenômenos psíquicos em geral. Ele explora esta  tese muito bem no seu famoso livro PASSPORT TO MAGONIA: FROM FOLKLORE TO FLYING SAUCERS (PASSAPORTE PARA MAGONIA: DO FOLCLORE AOS DISCOS VOADORES). Vallée foi o primeiro a associar o milagre de Fátima com o relato de um ÓVNI. Vallée escreveu muitos livros sobre o assunto e eu li todos eles. Como ele também se tornou uma celebridade no fenômeno ÓVNI, ao lado de Hynek, o próprio Hynek sugeriu a Spielberg que ele, Jacques Vallée, fosse o comandante da operação de contato com os alienígenas no filme CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU. O ator francês François Truffaut faz o papel de Lacombe, representando o cientista Vallée. Quem assistiu a este filme que foi sucesso de bilheteria agora entende o surrealismo de se colocar um FRANCÊS no comando das Forças Armadas Americanas em Solo Americano numa operação de contato com alienígenas (em ficção científica vale tudo).

Eu conversei pouco com Vallée, mas tempo suficiente para saber que ele acredita, piamente, na hipótese EXTRA DIMENSIONAL como sendo um extensão da hipótese EXTRATERRESTRE, ou seja, os ÓVNIS podem ser de qualquer lugar, entidades multidimensionais que estão além da equação tempo/espaço e que coexistem com os seres humanos sem serem detectados por nós com frequência. Vallée disse-me, ainda, que eles manipulam o espaço e o tempo e a psique humana quando e como eles querem, sem interferir no cotidiano de nossas vidas.

Independente de tudo que aprendi conversando com Hynek e Vallée, sempre achei, também, improvável a hipótese extraterrestre. Não acredito que os ÓVNIS sejam, simplesmente, naves de outras planetas em visita à terra. Eu estudei este assunto por mais de 25 anos. Li os  dois livros de Hynek e todos os livros de Vallée. Li também livros e revistas de outros autores e aproveito para recomendar ao leitor interessado no assunto para ter MUITO CUIDADO ao ler qualquer livro ou artigo de revista que não tenha sido escrito por Hynek ou Vallée. Estes dois são os ÚNICOS E VERDADEIROS CIENTISTAS QUE TRATARAM DESTE ASSUNTO CONTROVERSO COM SERIEDADE E DEDICAÇÃO CIENTÍFICA. Tenham cuidado ao lerem livros e revistas dos chamados UFÓLOGOS que são, na maioria, pseudo cientistas, místicos e sensacionalistas. Se você quiser inteirar-se BEM sobre o assunto, comece lendo o melhor livro sobre ÓVNIS já escrito, o primeiro de Hynek mencionado acima. 

Minha opinião de que os ÓVNIS não são naves extraterrestres baseia-se no fato de que a evolução do fenômeno ÓVNI, desde 1947 até os dias de hoje, tem um COMPONENTE MUITO HUMANO. Os ÓVNIS e seus SUPOSTOS OCUPANTES parecem comportar-se como NÓS, humanos, nos comportaríamos se pudéssemos fazer viagens interestelares e explorar outros planetas com vida inferior à nossa. Existe um PADRÃO HUMANO em muitos relatos. Há um caso famoso, investigado por Hynek e que ele mesmo disse ser A PEDRA DA ROSETA DO FENÔMENO ÓVNI. Este caso foi investigado, também, pela CIA e pelo FBI. Na cidade de Socorro, no Estado do Novo México, um policial perseguia um carro em alta velocidade quando sua atenção foi desviada para o que parecia ser um pequeno avião em dificuldades, soltando fumaça e caindo atrás de uma pequena colina. O policial abandonou a perseguição, dirigiu até o local da queda do objeto, subiu a pequena colina a pé e lá de cima viu um pequeno objeto ovalado com dois seres de estatura baixa do lado de fora. Ao verem o policial, os dois seres entraram correndo no objeto e este disparou como um foguete e sumiu na atmosfera. O objeto deixou marcas no solo de ‘seu trem de aterrissagem’, quatro pernas mecânicas. Hyenk, assim como o FBI e a CIA, fizeram cálculos das distâncias e ângulos entre as marcas deixadas no solo que determinaram o tamanho do objeto, seu peso e seu centro de gravidade que coincidia com marcas da queimadura no solo. Agora, pensem bem nisso. Muitos relatos afirmam que os ÓVNIS desafiam as nossas leis da física, fazem curvas de 90 graus (que explodiria qualquer nave humana), e também curvas de 360 graus, isto é, aparecem viajando em alta velocidade, de repente param e andam de marcha ré na mesma velocidade. Além disso, eles PAIRAM no ar por quanto tempo eles querem. PAIRAM, movem-se lentamente, bruscamente, fazem zigue-zague e ficam de novo PARADOS no ar. Se  eles conseguem fazer todos estas incríveis acrobacias, por que na hora de aterrissar no solo eles precisam usar algo tão PRIMITIVO e HUMANO como quatro perninhas? Uma vez que eles manipulam a gravidade terrestre como querem, eles poderiam, simplesmente, PAIRAR a alguns centímetros do solo, sem tocá-lo! Há outro aspecto deste fenômeno que descarta a hipótese extraterrestre. Muita gente diz ter visto objetos em plena luz do dia, muitos dos quais foram confirmados como sendo sólidos por terem sido detectados pelo radar. Por outro lado, há pessoas que descrevem luzes estranhas nos céus à noite. Seriam estas luzes os mesmos discos que são vistos durante o dia? Por que uma INTELIGÊNCIA muito mais avançada que a nossa se comportaria tão primitivamente como nós, ou seja: de dia viajam de luz apagada, mas à noite precisam acender a luz! Isto é MUITO PRIMITIVO para uma nave que vem de outro planeta. Nós mesmos, humanos, Americanos e Russos, construímos naves com fuselagem toda negra, invisíveis à noite, silenciosas, e que não podem ser detectadas por radares! Pensem nesse paradoxo: temos naves que não são detectadas por radares, mas há ÓVNIS que não conseguem ludibriar NOSSOS radares! E tem mais: nos famosos casos de abdução, como pode uma civilização super adiantada fazer algo tão PRIMITIVO e HUMANO como colocar pacientes numa mesinha, examiná-los com instrumentos cirúrgicos e colher amostras de cabelos e pele? Isso é MUITO HUMANO! Por isso, concordo com a explicação de Hynek sobre a possibilidade de estarmos diante não APENAS DE DOIS, mas mais de DOIS FENÔMENOS DISTINTOS.

Muito bem. Os defensores da hipótese extraterrestre vão dizer que eles são tão superiores a nós que não estão nem aí com a gente, não têm medo de nós e se expõem sem qualquer constrangimento.

Conheço muitas pessoas que me disseram terem visto coisas anormais e eu as respeito, mas sou São Tomé: só acredito vendo. Não duvido das pessoas que dizem terem visto COISAS INCOMUNS. Eu mesmo já vi coisas incomuns em meus sonhos nas quais NENHUMA PESSOA jamais acreditará. Assim, eu fico com Vallée que coloca os ÓVNIS na mesma cesta juntamente com outros fenômenos psíquicos. Eu conheço pessoas que me contaram casos de outras pessoas que dizem terem visto ÓVNIS. Conheço duas pessoas IDÔNEAS que foram testemunhas de ÓVNIS. Eu tenho certeza absoluta que estas pessoas me disseram a verdade. Uma dessas pessoas já faleceu. Seu caso é estranho demais e nem vou descrevê-lo aqui porque envolve abdução inconsciente, manipulação do tempo, manipulação psíquica COM RESULTADOS BENÉFICOS PARA O ABDUZIDO. O outro caso envolve um casal, ainda vivo que viu, juntamente com uma cidade inteira, um disco voador PASSEAR nos céus daquele pequeno município com menos de 5 mil habitantes. Ninguém no Brasil e fora do Brasil conhece este caso. Nenhum ‘UFÓLOGO’ (pseudo cientista) conhece este caso. Ocorreu  numa pequena cidade do interior do Estado de São Paulo. Era uma tarde de domingo. Por volta das 17:00 horas o céu está azul, sem nenhuma nuvem. Minha testemunha, o homem do casal, está saindo de um pequeno estádio de onde acabara de assistir a uma partida de futebol. Havia muita gente na rua. Mulheres e crianças conversam e brincam nas calçadas e praças. De repente, TODOS na cidade veem um ÓVNI aproximando-se numa altitude bem mais baixa do que a de um avião comercial, lentamente, sem pressa. Todos apontam para o objeto. Todos olham para cima. O objeto passa bem por cima da cidade, lentamente, com se estivesse fazendo turismo e apreciando a paisagem. Minha outra testemunha, a mulher do casal, vê o objeto por baixo, REDONDO, girando em torno de si mesmo, e voando em linha reta, em velocidade lenta e constante, sem nenhum som, sem nenhuma fumaça. Na medida em que o objeto se afasta é possível vê-lo de perfil, em forma de disco, prateado, como DUAS BACIAS EMBORCADAS, conforme descrição de minhas duas testemunhas. Todos acharam que se tratava de um novo tipo de avião. A cidade não tinha nenhum meio de comunicação. A cidade NUNCA ouvira falar em disco voador.  Adivinhem o ano!  1 9 4 7 !

Enquanto não temos respostas definitivas para os ÓVNIS e todos os mistérios da psique humana, encerro com a fantástica conclusão de Carl Jung sobre a análise de um sonho que ele teve com ÓVNIS e que ele descreveu no seu livro acima citado: ‘ELES NÃO SÃO PROJEÇÕES DE NOSSAS MENTES. NÓS SOMOS PROJEÇÕES DA
MENTE DELES'.