sábado, 1 de outubro de 2016

INVEJA (HOMENAGEM AO MELHOR JORNALISTA DO BRASIL, DANIEL PIZA, MORTO EM 30.12.11., AOS 41 ANOS, VÍTIMA DE UM AVC)

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)
Deus trouxe-o ao mundo com todo este talento, toda esta precocidade, e bem que poderia ser por pura sorte, sem mérito, no máximo por mera obstinação para encontrar as oportunidades e aproveita-las, não sem antes receber uma pequena ajuda decisiva que lhe permitiu por em prática seu intelecto com uma modéstia que chega a pedir desculpas pelo saber que você adquiriu. Você não me conhece e eu só conheço um pouco de suas ideias que me causam tanta inveja. Deveriam ser os mesmos os anjos que soaram suas trombetas aos nossos nascimentos, mas eles continuam trombeteando só para você e arrancando de seus admiradores elogios rasgados pelo seu brilhantismo e a serenidade que você mantém diante de seu sucesso. Sempre procurei encontrar um defeito, por menor que fosse, um mau gosto, por mais unânime que fosse, em tudo que você diz e faz. Mas, confesso, esta sua inesperada partida chocou-me e levou-me a cobrar de Deus uma explicação. Fui instigado a olhar para seu rosto de homem com sorriso de menino. Fui impelido a descobrir o resto de você que eu não conhecia e minha inveja tornou-se maior que o seu sonho que nunca se realizou. Era eu quem deveria partir primeiro, mas Deus mantém-me neste mundo no seu lugar, no seu papel que não tenho capacidade de desempenhar. Resta-me apenas prestar-lhe uma homenagem que se tornará insignificante sob tantas outras manifestadas por gente tão grande como você, não sem antes minha inveja voltar a assumir o controle das minhas emoções quando alguém, inadvertidamente, lembra de sua simplicidade apesar de sua riqueza material. Eu já tinha encontrado uma desculpa para justificar meu retardamento, mas ainda tenho dentro de mim um Deus que pede-me para seguir seu exemplo, partindo do degrau mais baixo que você galgou há tanto tempo atrás, e para pedir-lhe desculpas pela minha inveja que, se chagasse ao seu conhecimento, teria, no máximo, feito você se entristecer com minha pequenez.