domingo, 25 de setembro de 2016

SILVIA E AMANDA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Sílvia está recostada no sofá, Cabeça reclinada para trás, A escutar como quem presta ouvido às vozes que a convidam para jantar, Vozes longínquas às memórias que seus olhos cerrados estão a imaginar, Cercados de um lado pela vastidão do mar, No chão a macicez da areia para seus pés descalços, No alto o sol dourado cortado por algumas pipas coloridas que lhe enfeitam o olhar, Como seus sorrisos de todas as meninas que cirandam sem parar, E riem desde a manhã até o fim do dia que nunca veem chegar, Uma alegria com as companhias que parece se eternizar, Sílvia não pode mais escutar, Não pode mais despertar, E para onde foram todas aquelas crianças? O que fizeram de todas aquelas lembranças? Quem ficou com a menor parte de sua felicidade? E a maior parte de sua solidão? Amanda está deitada numa cama, Olhos abertos ao infinito, A se perder como quem os fecha às ausências que querem se acercar, Ausências desatinadas com os sentimentos que sua alma anestesiada está a preencher, Cercadas de um lado por lágrimas de sangue, No chão a terra dura para suas mãos calejarem, No alto o sol a pino rabiscado por alguns pingos de chuva que lhe refrescam o suor, Como suas obstinações de todas as mulheres que trabalham sem parar, E perduram antes de o dia começar até o fim da noite que nunca as veem descansar, Uma missão com os deveres que parece predestinar, Amanda não pode mais ficar, Não pode mais ajudar, E quem tomará conta de todas aquelas crianças? Quem trará mais bem-aventuranças? Quem herdou a maior parte de sua devoção? E nada do que sobrou de sua ambição?  


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