domingo, 18 de setembro de 2016

THE BEATLES: ONDE VOCÊ ESTAVA? BETTE MIDLER, CANTORA, ATRIZ, MODELO E COMEDIANTE AMERICANA

Edição de texto de autoria de Alceu Natali, baseado em depoimento de Bette Midler à revista Rolling Stone. Direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Eu fazia faculdade no Havaí quando comecei a ouvir os Beatles pela primeira vez. Lembro-me de ter-me interessado pela música deles, mas não fiquei entusiasmada. No entanto, extasie-me quando ouvi o álbum RUBBER SOUL. No verão de 66, eu estava trabalhando com um tipo de grupo itinerante de atores e o nosso gerente de palco tocava o RUBBER SOUL dia e noite. E este álbum acabou por conquistar-me, liberou algo em minha imaginação que eu nunca tinha vivenciado na música popular. Lembro-me disso como se fosse ontem. Confesso que me rendi ao talento dos Beatles com este álbum. Era uma avassaladora onda de entusiasmo e ideias originais. Depois desta experiência com RUBBER SOUL, resolvi abandonar o teatro, comecei a cantar em bares e tornei-me uma cantora e compositora. Eu  nunca fui do tipo de pessoa de se engajar em qualquer modismo passageiro. Mas os Beatles eram diferentes. Vieram para ficar para sempre. Eles tinham algo mais e dominaram-me. Eu sempre ficava na defensiva, porque eu era cínica. Ficava à margem de tudo, só observando. Nunca me entregava ao fascínio de figuras populares. As celebridades eram sempre maquiadas com uma grossa camada de artificialismo. Mas os Beatles não. Eram autênticos. E vejam só, hoje sou uma celebridade no mundo, por causa de RUBBER SOUL, por causa dos Beatles. Enquanto isso, o garoto de apenas 15 anos, lá no hemisfério sul, sacava o que a celebridade do norte não percebeu. Os Beatles eram um divisor de águas. Com o aparecimento deles o mundo passou a ter dois tipos de músicas: a música dos Beatles e o resto. Cada vez que o garoto ouvia RUBBER SOUL ele não tirava os olhos da capa do álbum, procurando algum aspecto singular que a diferenciasse das demais. Será que são estes narizes alongados por entre os olhos? Eles parecem ser diferentes dos outros seres humanos! E os Beatles criaram um divisor de águas em sua própria música. Seus cinco primeiros álbuns marcaram a chegada deles à lua, com composições cativantes, românticas, de letras ingênuas que enlouqueciam as adolescentes. Mas eles queriam ir mais longe, muito mais longe, ir até a Marte. Mas como fazer esta transição sem privar a juventude feminina das cantigas de amor acostumadas ao luar? Como empreender uma viagem mais longa e arriscada sem comprometer a popularidade que conquistaram? Resolveram fazer um teste: mesclar baladas fáceis de serem lembradas e cantadas com letras e arranjos mais complexos, mais intelectuais, mais introspectivos, mais estranhos que Marte. E o garoto menor de idade já enxergava tudo isso. HELP é o último álbum romântico. RUBBER SOUL marca a transição do romântico para o psicodélico que começou com o insuperável REVOLVER. É por isso que o garoto achava um barato John cantar a lírica e melosa GIRL e, ao mesmo tempo, a enigmática NORWEGIAN WOOD. O garoto sacava a enorme diferença entre a inocente YOU WON’T SEE ME e a poderosa DRIVE MY CAR de Paul. E se todos sacaram o que garoto descobriu em tenra idade sabem que os Beatles não foram só a Marte, mas deixaram o palco dos planetas internos e externos e acabaram saindo do sistema solar.


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