sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NOVENA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Em meu seio você se esconde, Como à noite, Incauta colibri, Pronta para seu açoite, Abuse sua matumba-preta, Já se tem nove sois, Ligados de clandestinidade, Acoitada para a escuridão, Com o tempo a estar suave, E abandonados seus telheiros para o coito, Sua boa serva, Sua pior senhora, Deita sobre mim seu açoita-cavalo, Cavalgue-o e dispare-o comigo, Entre oito e dez chibatadas, E abandone-me esfolada, Um pé de milho solitário, De verdes espadanas esfolhadas, Minhas chagas têm melhor carnadura que outras, Nove delas cicatrizam depressa de golpes fundos, As demais podem dissipar num mês pelo sangue, Mas uma, Entre oito e dez, Vem à luz, Orfanada de seu amo, Cevada em senzala, De açúcar e algodão, Até, Antes da primeira ingenuidade, Quando no lugar do senhor-velho, Vem o novo, A me chamar de Isaura, Sem nove-horas, Para ensinar língua de senhorio, A dedilhar delicadezas com uma mão de cinco dedos, Dois lábios, E dois olhos fechados.