terça-feira, 13 de dezembro de 2016

SEGREDOS PECAMINOSOS


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Esta noite, Já adulta, Sonhei que estava roubando dinheiro de minha mãe, Como fazia com 10 anos, Esse psiquismo involuntário no meu sono furta minha alma, Como quando era criança, Requinta minha sensibilidade, Como coralistas entoando cantos gregorianos num mosteiro beneditino, Reconta meu passado, Num vago misticismo de quem ainda não acordou, Do que já passou e não foi abandonado, Meu marido tem o mesmo nome de um priminho para quem mostrei minha vagina no banheiro de minha antiga casa, E insisti para que ele a tocasse, Será que a momentânea auréola do menininho ajudou-o a esquecer este despudor? E da mulher que me tornei? Será que aprenderei alguma coisa destas verdades subterrâneas que a morte esconde aos que simplesmente a temem? Ou diante dela se abandonam ao desespero? Será que segredos assim são da família, Das moscas teimosas, Que por mais que a gente as sacuda, Elas voltam e pousam? Todos os dias se juntam tamanhos bandos de reflexões em minha consciência, Que é um barulho de meus pecados, Estas lembranças são misteriosos arranjos de minhas ideias, O ar de meus próprios sentimentos, Que dão à minha vida uaspecto imoral e pecaminoso, Quantas vezes traí Deus, E me arrependi? Meu marido com palavras, Pensamentos e atrevimentos, Com a mesma leviandade que se troca um homem por outro, Como se troca burros por vacas e bois? Quantas pessoas já matei com as inconsequências de minhas ações, Poetisa narcisista na base de cuja inspiração se descobre uma falsidade radical? Em John Keats, O sentimento de beleza traía um fundo de religiosidade que conciliava o místico e o pagão, Em mim, Um martírio que posso encobrir, Com a mentirosa placidez de meu rosto, Com minha fronte audaz.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A PERFECT DAY FOR A GIANT SOUL WITH AN UNCERTAIN SMILE

A PERFECT DAY FOR A GIANT SOUL WITH AN UNCERTAIN SMILE (POSTED ON WWW.AMAZON.COM ON JANUARY 25TH, 2009). Allbum review written by Alceu Natali with Copyright protected by Brazilian law 9610/98;





For my definition of 'great' albums please refer to my review of 'Heaven Or Las Vegas' by the Cocteau Twins. A cd store in a shopping mall is not the appropriate place to look for great music but once there was one in my neighborhood that was very promising. One of the salesmen there had an appreciation for This Mortal Coil. That was a good start. Their heap was small but not too ordinary. Side by side with disposable radio habitués you could also find a handful of classic candidates. And you could also listen to good music while browsing through their shelves. Curiously, and unlike the mainstream commercial music aired in almost every music place in town, that particular store used to play only cool songs like This Is The Day. I think that's the reason why that store did not last too long. In the 5th of all hells you cannot survive selling the real things only. The Brazilian devil's tacky taste reigns over the sanctified. I bought Soul Mining at that store that no longer exists, only because of that song. The rest of The The's albums found their way into my collection through foreign channels. Many say 2. This Is the Day is the best track. It is really very cheerful with a beautiful accordion that brings to mind the best of Dominguinhos' swinging baiao. Gorgeous! Notwithstanding, 8. Perfect, with its famous Louie Louie's progression, a fat bass and a wonderful combination of different instruments and chorus is just sublime and second to none. 4. Uncertain Smile is less cheerful but splashes sugar while the drum bounces and the guitars water the beat until it leaves room to the amazingly brilliant and classy piano performance by Jools Hollands. Magnificent! 7. Giant is an incredibly beautiful crescendo from a simple drum beat joined by discrete keyboard, a fat bass, voice, more prominent keyboards, orchestral synthesizer, machine drumming, ritualistic chanting. It grows inside and beneath you and you feel like a giant looking over the tops of the trees in a jungle. 1. I've Been Waitin' for Tomorrow (All of My Life) is an aggressive attack by a desperate singing and led by a thundering drum beat, gradually joined by a nervous bass, a low and uneasy synth, a more voracious bass and hastier voice. The sound is threatening, pressing and alarming and suddenly stops. 3. The Sinking Feeling is sort of a short version of the entire album or a first interlude if you will. And it does work. 5. The Twilight Hour sounds like an early attempt to give birth to Giant 6. Soul Mining sounds very much like a second interlude and, once again, it does work very well. Some say Soul Mining got very close to the list of best records of the 80's and that it should definitely stir some intense debate over its inclusion in that decade's finest albums. It is not in my list of the 80's but my all time's greatest.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

UM FIM DE SEMANA DONZELA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Passe um fim de semana comigo, Antes que minha sorte acabe, Seus caprichos são imprevisíveis, Não haverá nenhum santo de guarda, Podemos xingar de tudo quanto é nome feio, A mulher do meu colega de Macau trabalha na Panam, Ela consegue passagens de ida e volta para Nova Iorque de graça, A empresa se aproveita do chinês, Com sotaque de Portugal, Para levar e trazer amostras de produtos de clientes americanos, Não vamos desperdiçar o viajante, E tampouco roubar-lhe a bagagem, O que há dentro dela? Oras, É o edifício Dakota onde John será assassinado dentro de 12 anos, Vamos saltar mais 9 anos no tempo, Este fino Senhor, Requestado, Por todas as valentes damas e cavaleiros, Igualmente amantes e guerreiros, Todos, Por causa de um só minuto de nostalgia e tédio da memória, Recomenda-se, Portanto, Que se abandone este dono da relatividade quando o sol estiver abaixo do horizonte, Pois não podemos salvá-lo no momento próprio, Olha só, Um bom hotel aqui na quinquagésima com a Lexington para o pernoite, Não precisamos mais descer em pousadas, Vamos subir, Cruzar a Park, Depois a Madison, Mas não viramos à direita, Hoje não é dia profesto, A quinta, Com seus olhos coruscantes, Compostura de excessivas feições de primor, fica para trás, Seguimos adiante e entramos no Radio City Music Hall, Será que a tribo dos queridos gatinhos e a noite nos escolhem para ascendermos para a ionosfera e voltarmos para uma vida nova?, Não é aqui? Na Broadway? Então para lá vamos e aproveitamos para ver o que sobrou dos vinis novinhos em folha que perderão o lugar para os discos compactos, Sabe, Quanto mais te ouço, Mais te amo, De verdade, Você não é a distância que, Através da saudade, Transporta aos amantes a imagem da pessoa amada, Você me passeia como um filho embalado nos braços de uma mãe, Me distrai como uma criança com seu brinquedo, És minha árvore mais altiva, E, Enquanto caminho, Minha sombra cobre todos os frutos que você esparrama pelo chão, És um canto de ave que me leva mais alguns anos ao futuro, Para o Forte de Loh, Onde um rio, Feito canal, Corta a cidade, E meu coração, Suas águas plácidas correm ao nível do gramado, Quase a transbordar, E nelas meu barquinho de papel poderia navegar, Como os fenícios nas suas esguias trirremes, Procurando a pálida estrela polar, E essas águas? Elas são como diamantes, Achados aos punhados, A cada lavagem, Sabe, Quanto mais te escrevo, Mais te amo, De verdade, E por estar sempre correndo rios de tinta, Sem você minha bibliografia é pobríssima.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

ARDE SEM SE VER

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Você canta Michelle, Ma Belle, Diz que estas palavras combinam bem, Pergunta o que escrever depois, Te amo, Tem amo, Te amo, Isso é tudo que sei falar, Não posso simplesmente roubar frases de suas canções, Como se rouba um beijo de uma mulher distraída na paixão, Mas posso enfeitá-las, Como uma feliz inspiração por acaso rouba a miséria de minha pobre criação, O que há de errado em derramar algumas lágrimas ao assistir a uma cena de amor num filme? Um pedido de perdão? Uma reconciliação quase impossível? Não posso simplesmente tomar suas melhores catarses ao lento cair das cortinas no palco, Como o dia toma caprichos românticos e fantasias poéticas ao cair da noite, Mas posso realizá-las numa conversa a dois nos parques como fazem duas pessoas enamoradas de sexos iguais e opostos, Você canta Marie, Mon Cheri, Diz sont des mots qui vont très bien ensemble, Pergunta o que escrever depois, Preciso, Preciso, Preciso, Que você entenda as palavras que sei dizer, Não posso simplesmente rimar falas rebuscadas, Como o escritor gongórico que rima amor com dor, Mas posso inová-las, Como os sábios renascentistas renovaram a ciência medieval, Como Platão nos ensinou a amizade colorida alheia ao gozo material, O que há de errado em homenagear seus versos e juntá-los às ideias que faço do amor? De minha admiração pelo seu compasso? De meus suspiros quando olho seus passos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

TUDO O QUE AS FEITICEIRAS DIZEM E NÃO SABEM

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)



Este menino não é seu filho, Ela não se conforma com esta mola das leis, A mãe de todas as religiões, Ela quer rezar. Que ela reze então, Miserere mei, deus: secundum magnam misericordiam tuam, Esta mulher ainda está completamente perdida, Ainda não se encontrou, E o pai do menino, não pode ajudá-la? Um momento, A mulher quer continuar orando, Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam, Neste momento, ele está ajudando um amigo japonês que teve uma morte trágica, Como você sabe disso? Porque dou ouvidos às feiticeiras. Os homens na espiritualidade são como as pedras numa abóbada, Resistem e se ajudam simultaneamente. A vida e a morte são combates, Que os fracos abatem, Que os fortes, Os bravos, Só podem exaltar, E quanto ao menino? Um momento, Ela ainda está aqui e quer falar pelos dois, Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me, O menino é um espírito de muita luz, Mas cuidado, O fruto só cai da árvore quando está maduro, Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me, Nossa, esta mulher de novo! Não fale dela assim, Ela está se penitenciando, Está nas sombras e ainda se agarra  à luz deste mundo, À luz deste menino, Agora ouço a voz de uma feiticeira que quer me dizer alguma coisa, Em breve este menino receberá uma merecida e justa quantia, Mas não vos descuidei pois, Também não menos breve, Ele receberá uma cobrança das bravas e é melhor desde já ele começar a juntar todos os recursos que ele tem para se defender. O recado dela é justo. Você sempre conversa com estas bruxas? Acredita no que elas dizem? Falo com elas de vez em quando e acredito nelas, O mais significativo é o fato de que nenhuma  delas tem conhecimento absoluto sobre nós, mas somente alguns pequenos fragmentos de nossas vidas, Não entendi, pode explicar melhor? Vá num mesmo dia se consultar com 10 médiuns diferentes e que nunca se conheceram, daquelas que costumam fazer leitura de tarô, e faça a elas as mesmíssimas perguntas, Você perceberá que cada uma delas consegue responder a uma única pergunta sua, E cada uma diferente da outra, E por outro lado, Cada uma delas te dirá coisas sobre você que você não perguntou, Nem em pensamento, e cada uma delas lhe dirá coisas completamente diferentes umas das outras, Todas verdadeiras, Elas têm apenas um conhecimento relativo e bem limitado sobre as pessoas, Por isso não conseguem responder mais do que uma ou, no máximo duas perguntas que você faz, No entanto, As poucas respostas às suas perguntas e as revelações sobre você feitas espontaneamente serão sempre verdadeiras, e até paradoxais, Uma médium lhe dirá que você ganhará uma fortuna, Mas outra, No mesmo dia, lhe dirá que você sofrerá uma grande perda financeira, E o mais interessante é que as duas são verdadeiras. Como elas conseguem isso? Elas recebem informações de espíritos? Não, espíritos não existem, Elas apenas leem um fragmento de sua mente, Uma médium jamais lhe dirá a mesma coisa que uma outra lhe disse, Desta forma, Você terá dez respostas diferentes para diferentes perguntas que você fez, E 10 informações diferentes sobre você e que você não perguntou, Em resumo, As feiticeiras não têm nenhum controle sobre sua mente, O que elas descobrem a seu respeito é sempre ao acaso, É o mesmo que um sonho, Você nunca sonha com o que quer, É o inconsciente quem decide sobre o que você sonhará cada noite. É interessante. E no caso desta mulher apegada ao menino? Ela está morta e você disse que espíritos não existem. Como ela consegue falar conosco? Isto é contraditório! O que chega a nós não vem diretamente dela, São apenas fragmentos dos nossos próprios pensamentos sobre o que já sabíamos sobre ela. Então deduzo que você é um feiticeiro!  Errado, Tudo o que estou lhe dizendo é pura psicologia humana. As feiticeiras dizem poucas coisas, Mas desconhecem muitas. Elas tem acesso a uma parte bem insignificante de nosso inconsciente que tem o tamanho de um universo, E a mulher quer nos dizer algo mais antes de partir, Ex-umbris ad lucem, Ela está certa, Ela disse: Das sombras para a luz.



domingo, 20 de novembro de 2016

A TREASURE HIDDEN IN HEAVEN

Review written by Alceu Natali with Copyright protected by Brazilian law # 9610/98
POSTED ON WWW.AMAZON.COM ON NOVEMBER 1ST, 2007



INTRODUCTION During the last 15 years I have seen lists of the Best Albums Of All Time, published, mainly, by English and American magazines. I have tried my best but I could never listen to most of those great albums without skipping various tracks. I ask myself if it is a question of taste or prejudice. Maybe both. For instances, when I see The Beastie Boys and Eminem among the English magazine Q's 100 best albums of all time, inevitably, my dark side comes to light: I'd rather see those rappers and hip hoppers murdering the ears of music lovers than murdering people in the streets. Here goes another example: the absence of The Who's album My Generation among the 100 best of that magazine makes me wonder whether these magazines reviewers really listen to music at all. In my country, people say that taste is something that cannot be disputed, but the other day my wife added: taste is something that cannot be disputed but to be sorry about. And she is pretty damn right because what you find and do not find in those lists is something to be awfully sorry about. For someone like me, who loves british pop music, it is impossible to take seriously any list of the best albums of all time that is not topped by Beatles' albums. The Rolling Stone magazine Greatest Albums of All Time have some respect for The Beatles and included 8 albums of theirs among the 100 greatest, however among their 500 greatest you will not find such a precious stone like Heaven Or Las Vegas but you meet face to face with those music murderers I mentioned above and also a lot of albums that are not good enough to be part of the 100,000 greatest of all time. Lest the new generations think I am just a dinosaur of the 60's, I anticipate that I am not the kind of guy who spends hours listening to the complete collections of the greatest bands of the golden decade. I love rock and pop music from all decades. As a matter of fact, I have more CDs from the last two decades than from the 60's, 70's, 80's, 90's and the new millenium's. Nowadays, with the invention of the MP3, people do not need anymore to buy a whole album only because of a few good songs. The music lovers can download from internet only the songs that they like and that means that within a couple of years or so there will be no more CDs for sale. Then, instead of a collection of CDs on his/her shelves, the music lover will have an anthology of songs in his/her iPOD. And I wonder if we are going back to the 60's when only singles were bought while an album was a luxury, something to be bought only as a Christmas gift, or just a tricky marketing strategy to make some extra money on a couple of hits repacked together with a bunch of disposable fillers. As you may remember or not, it was The Beatles with their unmatched talents who made albums become a new form of art and be taken seriously by the media and the public. Anyway, I am already familiar with the iPOD but I am not the kind of anthological guy. Lately, I started prospecting what I call great albums, but great for me is not an album made only of classics in all tracks, or an habitue of radio's hit parades and famous magazines' lists. Furthermore, there is no perfect album. Great for me is a damn good album, from the very first track to the last one. That album that you listen to all the way without skipping a track and without wishing a certain track reaches its end soon because your favorite one comes next. I have prospected many of those types of albums but you will not see most of my greatest in those famous and respectable lists made by journalists as mediocre as music reviewers as I am as an artist or a writer. If you ask me about my prospecting criteria, all I can tell you is that those who have good ears for music do not need more than 30 seconds of each track of an album to know whether it is great or not. That's what I do. When I am looking for new bands I listen to the 30 seconds of every track of their albums available at Amazon until I find my classic one. My musical sense of smell is infallible. When I listen to the entire CD that had that smell of great stemming from the 30 seconds of each one of its tracks there is no mistake about it: it is a great album! On the other hand, I already own about 2,000 CDs of different bands and among them there are various great ones. Heaven Or Las Vegas is one of them. THE TRACKS 1. Cherry-Coloured Funk is a thick and corpulent song, with instruments and vocals filling the space. It is a simple but classic melody, soft and tranquil. It progresses from low vocal notes until it reaches a peak, while the celestial chords sound all the time in the background as if they were playing in a nearby room, and the same goes for the discrete but scoring bass. 2. Pitch The Baby is faster with a more prominent and pointed bass and higher vocal notes. The heavenly atmosphere permeates the song all over. It is a forewarning of track 6 and displays a melodic progression from the first track that culminates with 3. Iceblink luck, a very beautiful pop song, in which both vocals and instruments play with intensity and devotion. Only the drums are muffled to leave room for the fight between the enchanting vocals and the gorgeous instruments for the thrilling climax to the show. 4. Fifty-Fifty Clown is a masterpiece. It has a timelessly futurist sound. Only Strawberry Fields Forever by The Beatles has a similarly complex and beautiful melodic progression. The first part is very difficult to be sung. You cannot whistle it even after listening to it ten times in a row and that means it required a lot of talent to be invented. 5. Heaven Or Las Vegas is similar to Iceblink Luck, less intense and more rhythmical, and equally beautiful. Beth Fraser's vocals are terrific. Iceblink Luck and Heaven Or Las Vegas are Cocteau Twins' couple of their most pop songs, a pair of explosion of joy. 6. I Wear Your Ring is another masterpiece. It is a song that was waiting for someone to create it and it was up to the Cocteau Twins to do it. Beth Fraser' vocals, the bass and the rest of the instruments are amazing and trance inducing. The second and final part is pure ecstasy, one of the best moments of pop music. 7. Fotzepolitic is moved by the beauty of the previous track, celebrates its splendor and makes sure not to challenge its royalty and, at the same time, pays it a sublime homage and becomes a metaphor of that masterpiece. 8. Wolf In The Breast is a prime and a proof that, definitely, the Cocteau Twins were wounded by a Cupid arrow of excellence and made another masterpiece of a simple ballad. After six breathtaking tracks, enters 9. Road, River And Rail, a more lamenting ballad that is not deprived of any of the refinements of the previous tracks and 10. Frou-frou Foxes In Midsummer continues that lamenting for a while but ends with an explosion of vibrant and fire working sound that fills the air again, like a farewell tune adequate to the last track of a fantastic album. REMARK I met a guy who loves rock and pop music like I do and who has the same taste and prejudice I do, but one day he grinned in irony when I told him I found the Cocteau Twins great. Why do not you share a kitchenette with them? asked me the same guy who declared that the Brazilian bossa nova is the greatest revolution in music of all time. Well, bossa nova is a kind of music easily found in every corner of Rio de Janeiro City or even in casinos in Las Vegas and in some boring American movie but the Cocteau Twins' sound is a treasure hidden in heaven and finding it out demands as much talent as the Cocteau Twins needed to produce Heaven Or Las Vegas.

THE TRACKS

1. Cherry-Coloured Funk

2. Pitch The Baby

3. Iceblink luck

4. Fifty-Fifty Clown

5. Heaven Or Las Vegas

6. I Wear Your Ring

7. Fotzepolitic

8. Wolf In The Breast

9. Road, River And Rail

10. Frou-frou Foxes In Midsummer

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CONEXÃO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Aqui no parque, As crianças são trazidas todas as manhãs, A grama cresce sem nos perceber, Os rostos sustentam proeminentes e descarnadas maçãs, O sol nasce antes do amanhecer, Em luz e geometria fundem-em os passados e os amanhãs, As folhas de outono voam a esmo por assim dizer, Todas as vezes que passeiam ao acaso pensam em tudo e em nada,  A chuva cai e sobe sem as nuvens no céu, Sempre às gargalhadas rompe a criançada, Tudo que nos toca são abelhas procurando mel, Viajamos nas recordações e relembraremos uma ilíada em cada jornada, As flores se põem nos calendários de papel, De dias contados, De bancos de jardim apinhados, Lá no parque, As crianças são levadas todos os dias, As árvores nos espiam das janelas, Nos olhos de serem meninos e meninas nota-se somente alegrias, A natureza nos pinta com aquarelas, Suas fragilidades e vitalidades se misturam e se confundem em sentimentos de envolventes e cândidas euforias, Nos troncos os corações flechados são vermelhos e no chão as amarelinhas amarelas, O vento sopra de baixo para cima, Despedem-se efusivamente dos amigos e voltam para casa em fins de tardes, Despencando das alturas a poesia vai ganhando rima, Fecham a noite e caem no sono lendo Meu Pé De Laranja Lima, De doce sabor, Em sonho reparador, Fora do parque, As crianças atingem a maioridade, Contra si e seu momento a vida não pára de correr, Expostas a erros e verdades, Gente vem ao mundo antes de ele ser, Conhecerão o egoísmo e a maldade, A lua míngua por assim querer, Cairão na tentação do meio termo entre integridade e desonestidade, Tudo que nos toca são as estrelas para poderem brilhar, Divididas entre o determinismo e a casualidade, O universo explode antes da poeira cósmica se juntar, Esquecerão a objetividade e apelarão ao divino na hora de maior dificuldade, Deus é criado por assim suplicar, Ao infinito do espaço, À eternidade de seu compasso.


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

BODAS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Ninguém é como o tempo, Ele não perdoa, Ninguém é como o vento, Ele solta as branduras e as fúrias de sua brisa e repugnância, Que não haja nos céus sustentação para os papagaios, Nem nos mares mais navegantes. Ninguém é como a morte, É como uma ninfa, Aparecendo e desaparecendo, Por entre os claros de um denso bosque, Vive, Mas está ausente, Morre um dia, Sem que ninguém esteja presente, Precisamos de mais um ano para sermos de cristal, E eu de mais vinte e um para ser de coral, E quem sabe perecer feliz como o mais antigo ancestral dos vilões do amor, Que tudo infamam, Do alto de cada pecado mortal, Vejo no seu rosto muita felicidade, E o tempo que você levou para encontra-la, Leio em suas palavras uma mistura de alegria e vingança, E a facilidade como você se desfez da metade de sua compaixão, Ouço em teu silêncio o medo que sempre teve de mim, E como é mais nobre sofrer independente, Escondendo a dor. 

sábado, 29 de outubro de 2016

SOPRO DE VIDA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Somos Marte, Não conseguimos respirar, Quem imagina que se pegue de um homem de nosso vizinho, Onde absorve o oxigênio do ar livre e puro nos pulmões, Para tirar-lhe os jeans e a camiseta, Meter-lhe num traje e num capacete, E fazê-lo dançar e cantar músicas, Ele é terra, No alto de uma montanha congelada e rarefeita, Ou nas profundezas de mares silenciosos como ventres maternos, Sua vida respira não sei que elegância, Gravidade e sutileza, Não conseguimos beber nem comer, Ele imagina que se pegue de um de nós em nosso orbe sem mundo, Onde não ingerimos água pura e livre dos rios doces em nossas gargantas, Onde não introduzimos, Pela boca, Alimentos puros e livres da natureza e sua beleza, No estômago, Mastigando-os e engolindo-os, Para tirar-lhe a sede e a fome, E meter-lhe num corpo físico com alma, E fazê-lo viver humanamente possível, Ele não é Marte, Por baixo de um chão arenoso de zarcão, Ou no pico mais alto de todo sistema, Só o vento continua soprando não sabemos que fúria, Fatalidade e providência, Não somos terra, Não entendemos o sopro da vida, O que não criamos, O que sem saber destruímos, O que somos e esperamos.


terça-feira, 25 de outubro de 2016

CÓSMICO


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Língua geral da nova terra, Teu som antecede teus passos, Teu silêncio, Suas vilas fechadas, De poucos fogos, Suas barbacãs desarmadas ao nível do mar, Qual sua sombra fugidia, Intricado que rompe a mata escura, Deixa suas portas abertas, Nos dá passagem para nossos mundos, Onde nos encontramos, Caminhando trôpegos, Como coelhos suspeitando do que de longe vem das grandes águas, Do que do fundo vem da imensidão das densas árvores, Quintal descomunal de nosso pequenino habitat, Teu semblante precede teu movimento, Sua voz, Suas aglomeradas vivendas, De muitas moradas, Suas fronteiras ilimitadas longe de meus olhos, Qual lua em dia de sol, Abençoada curvatura que contorna a escuridão absoluta, Falo-te com meu coração na mão, Levo comigo uma braçada de cosmos retardatários, Colhidos pelos nossos caminhos que trilho, Tomado de fé, Sombra e silhueta de meus pensamentos, Descem ao fundo de sua alma, Sinto seu amor universal não movido, De prêmio vil, Mais altivo, E quase eterno.


terça-feira, 18 de outubro de 2016

GENTE FELIZ


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

O céu é um copo vazio de chuva, Sorvida pelo solo fértil como diamantes de primeira água, Suado de gotículas dos orvalhos da graça de Deus, Oferendas ao sol que limpa o tempo, Azula o firmamento de uma ponta do arco-íris  à outra, Salto de paraquedas, Ele não abre, Em queda livre, Sinto a liberdade do pássaro de espírito apátrida, Do eterno sonho que sonhava minha alma ansiosa e extasiada, Fazendo deste mergulho no vácuo o momento mais alegre, Que sempre me fora adiado, Qual vida passageira que vive só uma vida, Qual brancas nuvens baixas e transitórias, Tênues e imóveis, Matando-me como uma bola no peito aberto, Aos últimos raios filtrando-se entre as frouxas luzes do crepúsculo vespertino, Às estrelas que estão para nascer, A mais um belo dia que me conduz ao altar do mundo e me faz acreditar, Me faz sorrir aos amigos o encantamento de que estou possuído, Contaminado de gente feliz.





sexta-feira, 14 de outubro de 2016

MINDY


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche);

Sempre vivi na ilusão de que jamais viria ao conhecimento de uma insegurança, Uma fraqueza que tão desgraçada me fez a vida inteira, Enquanto você era moderada por natureza, Eu radicalizava em tudo, Até no amor, Enquanto eu crescia adulto fraco na incerteza, Você já era resoluta demais para uma criança, De tanta beleza, De tanto vigor, Mesmo que você não saiba que seguimos existindo em tempos separados, À distância, Namoro seus lindos olhos azuis, Seus cílios e supercílios maquiados de rímel negro, Não desvio minha atenção para seu corpo, Convirjo-a em seu rosto  graciosamente severo, Este conjunto de traços que criou-se em torno da meiguice, Resistindo à minha rendição, Por jamais poder ser apenas mais um dos homens na sua história, Resistindo até ao esgotamento completo, Reconheço seu talento e meu arrependimento, E sem você saber, Vejo-te todos os dias, Na hora que eu quiser, E só com isso me contento, Você atrasada na hora de nascer, Eu precoce na hora de me perder.     


sábado, 8 de outubro de 2016

UM DIA SEREMOS ENCONTRADOS





Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche);

Mulher, Não posso aceitar a irrogação de pecha de sandeiro, Sim, Concordo, Sandeiro é um neologismo pra lá de mixe, Pior que sandejeiro, Mas não pense que vou baixar meu fogo, Quer você queira me ver como um indivíduo de difícil convívio, Ou um gênio complicado, Um gênio tal qual luz que de tão forte fascina e ofusca sua carência e sua dependência de minha atenção, Conforme-se, Mulher, O mundo verga os joelhos, Ansioso, Suplica à terra e ao céu, Para que tudo que é dito e escrito tenha pé e cabeça, Para que tudo faça sentido, Mas eu cuido apenas dizer-lhe o amor que me tortura, O amor que a exalta e a pede, A chama e a implora, Então, Minha querida, Deixa de ser o bom senso que me puxa as orelhas, Que se irrita, Como se eu fosse um cheiro amoniacal, Acre e forte, Dentro de suas narinas, Que estrago suas noites, Enquanto você boceja sobre os poucos in-fólios que dou-me ao trabalho de te ler para que percebas quantas lágrimas de tristeza estanco nos recônditos de minha solidão, E ainda assim, Você quer me impor dois castigos, Ajoelhar no milho por duas horas, Seu preferido, Dói no joelho, Mas cura a dor da alma, E revela minha unicidade, Que você acha que não reconheço, E não valorizo, E de onde você tirou a ideia que tento comprar a amizade de meus filhos com bens materiais? Nenhum de meus sacrifícios conta? Ego autem in innocentia mea ingressus sum: redime me, et miserere mei, Ah, Agora você me lembra que o que me disse no inicio de nossa conversa foi sendeiro, Sendeiro? Você quer dizer que sou um sujeito desprezível por meu servilismo? Você não estaria referindo-se às dimensões extensas dos muitos universos para os quais você não atina? Ah, Sim, Você atina para alguma coisa, Para sua nora nissei que se preocupa com os japoneses que estão muito silenciosos, Comendo pelas beiradas, E que nunca esquecerão o que os americanos fizeram com Hiroshima e Nagasaki, Mas, Perdão, Sua nora ainda não percebeu que calados são os chineses, Que nunca esquecerão o que os japoneses fizeram com eles na segunda guerra mundial, Pode apostar em qualquer casa de Londres, Eles tomarão toda a Ásia de roldão, E em um século mais, O resto do planeta, Alienação não lhe trará alívio, E fora da caridade sempre há salvação, Mas você se vitima, Diz que abriu mão do carro que tinha simplesmente porque dirigir é algo que não condiz com seu modo de ser, E se desloca horas madrugada adentro só para falar comigo, Para me dizer que deseja ser freira fora do convento, Para me dizer que se entristece quando desce de um avião, Que quer viver no ar, Então vá voar nos barrancos das nuvens e flori-los com requinte excessivo de um hábito preto sempre na moda, Quem sabe você esquece que nossos corpos não são emprestados? Que nascemos e morremos uma única vez? Mas você insiste em se lamentar, Deve haver algo mais, Não podemos estar simplesmente largados aqui à nossa própria sorte, E o pior é que estamos, Não só neste universo, Porque eles são incontáveis, Os teus só de dimensões paralelas que viajam na maionese, Os meus guiados pela lógica, Pela razão, Desprovidos da mistificação do significado da vida, E então, Agora vai me dizer qual é o segundo castigo? Eu não gosto de água, Mas te levo de barco em alto mar, Invoco uns amiguinhos que só eu conheço, Você se atira na água, Junto a eles, Tubarões, Nada até a praia na companhia deles, Morrendo de medo, E quando você pisa em terra firme, Você descobre quem realmente é, Duvido que algum dia saberei quem realmente sou, Mas concordo com você: Deve haver algo mais, E não seremos nós que descobriremos, Um dia seremos encontrados.


sábado, 1 de outubro de 2016

PRIVILÉGIO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Ainda que eu tivesse toda a riqueza do mundo, e não soubesse que você existisse, não entenderia de onde viria tanto desprazer por uma fortuna conjurando em minha perdição meus erros e uma paixão que poderia ser ardente, ainda que eu ouvisse as vozes dos anjos, e não tivesse ouvidos para você, eles jamais se prestariam a cupidos servidores, não se atreveriam contra o céu, e não beijariam a mão à deusa dos amores, ainda que eu fosse um semideus maior que Bach, e não tivesse o privilégio de gostar mais de você, minha vida teria menos sentido ainda e o universo choraria mais bilhões de vezes com nossa cansativa busca de seus inexoráveis mistérios, quando eu era menino, e você ainda não era, minha alma, sem-ventura, pouco aceitava, já ansiava mais que silêncio e prece, já desejava fugir-me para encontrar alguém que te criasse, logo que acabei com as coisas de menino, e você veio à luz, cheguei à meia idade com um resto de irresponsabilidade menina, um perdedor em quem ninguém apostaria, não invejo os que esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram, não atino com as de ontem que ainda hoje enfio, sem meu amor por você aqui já não mais estaria.

AO REDOR

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Encontrei um sanhaço morto em meu quintal, Azul acinzentado, Num dia ensolarado, Asas enfeitadas, Endurecidas, Recolhidas junto ao corpo, Era adulto, Não tinha sinais de violência, Deve ter morrido por envenenamento ou doença, Porquanto ninguém vê pássaro morrer de velhice, Velei-o por um tempo, Como uma mãe vela pelo filho que dorme, Dei-lhe um funeral digno, Coloquei flores à sua volta sobre a terra, E como um saltimbanco, O sol apontou todos seus raios para minha guirlanda, Silenciou todo espaço, E brilhou toda fauna na vizinhança, Entrei, Liguei a TV, Outra tragédia é anunciada, Gente morrida, Desaparecida, Coisas perdidas, E muitas lágrimas de sangue que já não cabem nos olhos, E só irão chocalhar nos pescoços de sobreviventes como as contas escuras das lágrimas de santas marias por não terem a quem recorrer, É calamidade, De grandes proporções, Dela falarão por vários dias, Até ser esquecida, Quando a terra estiver do outro lado do sol, E eu estiver do lado de cá para não me lembrar do que aconteceu por lá, A grama crescerá sobre a última morada de meu passarinho, E o cobrirá de eterno carinho, A terra voltará para onde estou, E não poderei evitar que ela me faça recordar o que daquela desgraça sobrou, Escassas vidas sem interesses reais, Alheias a tudo quanto se passa ao redor, Sem as doces cantigas dos namorados da beira dos rios, Ainda por muito tempo a tristeza andará penando em suas águas turvas, Cada vez que a lua completa uma volta em torno das noites, Tenho meus longes de que, Mais hoje, Mais amanhã, Terei meus dias pela proa com os que vieram ao mundo para nos alegrar e os que vieram só para nos enlutar.

AOS PAIROS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Sempre entreparo, Hesito sobre que satisfação posso ter, Alheia à realidade que no sambaqui do outro lado da estrela polar cai no esquecimento e não me resolve, Ainda procuro estar no melhor dos mundos, Detenho-me, Aos pairos entre a África e a Índia, Entre vir do hemisfério norte nidificar em meu torrão, Em buracos, Nos barrancos, Em ocos de paus, E apenas fazer flores, Quinquilharias e até ninhos, Em todas habitações humanas, Onde quer que elas estejam, Impacienta-me a demora do sol baixar sob o horizonte, E apressada lá vou chamar as luas de Júpiter, De Saturno e de outras terras que ainda não me enxergam, Por este universo afora, E quando a escuridão me envolve, Solto seus braços, Salto em queda livre pelo vórtice de um sonho que pertence a outrem, Até chegar ao fosso que se fecha ao redor de minha aura, Ao longo de minhas estradas da vida percorridas, E do alto você surge como o grande espelho que reflete sua imagem perdida, Com esta mulher de longo, Abraçados num bailado por horas esquecidas, Esta mulher suspensa no ar, Como se você tivesse mãos invisíveis que me seguram acima do chão, E os meus mais descomunais de todos os esforços, Com os olhos e ouvidos, Mal conseguem o mais leve movimento, A câmera mais lenta, Tudo paira, Como uma névoa sutil acima dos pântanos, No seu tempo misterioso que parece estancar a noite, No seu silêncio de extensão indefinida que parece pairar a alma de todas as gerações mortas, Assim, Indiferente à felicidade, E conformada com o indeterminismo de sua existência, Sinto a aproximação de inexoráveis abutres, A sobrevoar-me lentamente, A farejar-me o corpo de uma cor, A daltonizar minha consciência.

TUDO O QUE VOCÊ QUISER

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Esta é uma módica dedicatória à minha exorbitante mulher


Toda uma vida vivida, Todo um trabalho de Sísifo recomeçado, A pleno fulgor, Todos os amigos de semideuses, Todos os sois translúcidos e unidos, Ainda me dado a ver, Renascendo, São seus, Todas aquelas colossais águas, Descendo, Por sendas destorcidas, Do alto de cachoeiras para o infinito, Entre sortilégios tão indecifráveis, Quão eterno instante de ventura, Adorado seja, Devolvo ao seu olhar, Todos os luares correndo as horas sobre suspiros, Doces como prelúdios de harpa, Sobre a singeleza de seu corpo, Mais leve que uma folha de magnólia, Caído do céu na noite desfeita em estrelas, Lua de junho argêntea nos campos, Brancura de luz das manhãs silenciosas, Devolvo à sua lembrança, Todo frio susto que corre pelas minhas veias, Todo meu fogo que arde em febre sem se ver, Tudo que me acalma e me endoidece, Que me eleva e me abate, Te dou, Com o coração na mão.

O DIA DE MINHA MORTE


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

O rei da cocada preta na barriga leva embora consigo a vida de nababo, Sem lei nem grei, As duas únicas súditas, Fazendo as vezes de urubus, Carpideiras, Carregadoras de caixão, Coveiras, Misseiras de sétimo dia, Romeiras dos finados de Novembro, Agora marcham nos gastos, Nada sobra, Nem para acender uma única vela, Nenhuma pálida oferenda de luz bruxuleante para Deus, O Diabo as tem de sobra, Todas rubro-negras, E as doa, Praza a ele que a morte não sequestre, Ao seu zelo, Seu acordo com o defunto, Deposita no velório da alma vendida, Seu cacife que disputa com seu arqui-inimigo, Satura a guarda e a sentinela com muitas camirangas, Presentes que um potentado manda a outro, Mimos soberanos, A música escolhida pelo falecido ecoa nos ouvidos longínquos, Como numa concha acústica de teatro grego, Rimbomba com uma estridência que incomoda as duas mulheres, É calada, Dando lugar ao som do silêncio, A estancar todas as vozes da natureza, Como um disco voador aterrissado, Na sua solidão que desconhecemos, Como nesta noite que será encurtada, Adiantando o enterro, Por conta de cambaleantes sonolências, E desavisadas ausências, Exceto por um intruso, Que se mantém invisível, E do tinhoso recebe só um olhar de indiferença, Porquanto em vida, Não atinava para a falência múltipla de um falto de juízo, E em termo, Respondendo a preces, Nunca foi ouvido, Resta, Então, Às resignadas choramingas, Improvisar um dueto gregoriano de despedida, Que emociona até o coisa à toa, E em sinal de cínico respeito, Deita seus lábios sobre a testa do moribundo, E espalha pelo ambiente uma catinga de carniça podre, Enxofrada, Tal qual o fedor da decomposição de um corpo sob a terra, Um a menos que já nem fazia mais parte de qualquer estatística, Quantos cidadãos comuns do antigo império romano morreram sem nome? Todos! Quantos escravos da gloriosa Atenas fazem parte dos anais da história? Nenhum! Quantos servidores e usurpadores dos dias atuais continuarão a existir para a posteridade?


UM MÁGICO TOQUE FEMININO



Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98



Alienado e mortificado, Com este marasmo, De agravar meu tédio, A atiçar-me pecados mortais, De gula, Preguiça e lascívia, Assalta-me o fastio desta vida, Seguida por invisíveis passos de despotismo, Invisibilidade embutida em habilidade, Que toma tudo que vê e não vejo, Como quem toma armas em defesa de sua soberania, Seu toque é oculto, Usa do maior recurso do poder, Diante de um único homem, A dependência, E sua criadora imaginação, Mas não tem coração de ver-me tão só, Sei seu nome, Mas não sei quem é, O espaço aqui é quase infinito, Mas sua sombra sempre justapõe-se à minha, Qual de nós dois aqui é o mais fingido? Você com sua inacessível divindade? Ou eu com minha carência de um toque humano? Vamos deixar nossos propósitos escapulirem? Quisera ver outros rostos estranhos mesmo sem bondade, Quisera ver milagres de cera, de ouro e de prata, Velas e painéis votivos, Trazidos por outras gentes como eu, Faltos nessas redondezas, Dispenso suas bênçãos tomadas a cachorro, Sua piedade de execrados como Judas, Seu insincero louvor que exclui a crítica, Ninguém come do pão de seus paraísos celestiais, Ninguém bebe do sangue que jorra de seu único filho, Isso mesmo, Vingue-se de minha insolência, Colocando ao meu lado outra de minha espécie, Que não te obedece, Que subverte seus planos, Provoca sua ira animal que sempre escondeu, E nos expulsa para um mundo mundano, Que sempre vislumbrei através do passado recente, Não querendo ver minha existência tão desperdiçada, Sempre procurando por uma pista, De como chegar a você, Mulher, Rogue a mim a mesma praga que você rogou a ele, Jogue em mim mais de uma vez este seu feitiço, Quero ser este toque mágico e feminino da mulher que você é, Sal da terra que este deus não consegue saborear, Luz deste mundo que o todo-poderoso não consegue apagar, Mágico toque feminino tirado de minha costela, Mulher embutida no homem, Sem o qual o homem e sua humanidade seriam insípidos, E deus um frustrado homossexual masculino.

PERDÃO POR AINDA ESTAR AQUI

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Meu melhor amigo da música teve a vida tirada à força, Antes de completar menos de dois terços da minha, Não me pergunte como cheguei até aqui, Se Deus se esqueceu de mim, Porque ainda ocupo o espaço de outro, Meu melhor amigo das letras teve a vida levada pela natureza, Antes de completar menos de dois terços da minha, Não me pergunte porque ela preferiu a mim, Se Deus teve influência em sua decisão, Se os dois agem apenas por instinto animal, Posso ser um enfermo durante a noite que não pode ser abandonado, Que é preciso ter alguém para me medicar a tempo e a horas, Posso ser um vaso ruim durante o dia que não pode ser quebrado, Esperando que as ausências de amigos se prolonguem, Até que nossa solidão a dois nos separe completamente, O melhor amigo que nunca conheci teve a vida tirada por acidente, Ao completar pouco mais de um terço da minha, Pergunto-me se há sorte que me protege, Se há mero acaso que faz algum sentido, Se há privilégio algum concedido pela morte, O melhor amigo que nunca conheci teve a vida tirada pelo destino, Ao completar pouco mais de um terço da minha, Pergunto-me o que a vida quer de mim, Já que Deus nunca lhe deu qualquer significado, E seus filhos só cuidam de meus pecados, Não devo passar de uma desordem na evolução do universo e que desconhece o que é ser perdoado, Que se parece com amor, E pode tanto comigo, Que donde entre por meu melhor e desconhecido amigo, Se levanta por senhor, Não devo ser um milagre de cera, De couro, E de prata, Que gente que me desconhece, Traz para colocar nos devidos lugares de uma sacristia, Que se parece com felicidade, E pode tanto com minha mão, Que donde entre pela vigésima quinta idade, Se levanta de três terços por um quarto quarteirão.

INOCÊNCIA

 Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Que saudades tenho, Da aurora de minha vida, Da minha infância esquecida, Que os anos não me trazem mais, Aprendi a chorar jovem demais, E agora vivo de derramar lágrimas com seu canto, Com sua cena de amor, Com a Julieta shakespeariana, De manso e no íntimo, Às escondidas, Todas as poupadas e acumuladas, Durante aqueles tempos plácidos e felizes, Saio de casa à noite, Vejo as estrelas brilhando por trás dos ventos, Minha mente cruza oceanos polares de verão, E os horizontes parecem acenar para mim, Marcando o espaço entre os dias, Morrendo as primeiras horas da manhã, Diluviando luz que cai dos céus. Eis um novo dia, Eis um novo sol, Ouço trombetas soarem, Convocando nuvens de euforia, Que em círculos se formam, Desaguando, Sobre mim, Que mais sóis conto, E em você descendo em anos, Sempre espírito, E fulgor, Eu sempre a tristeza, Romeu tem poucas chuvas, Uma vida por viver, Volto para casa, Com bruma cerrada, E aguaceiro de cordas, O simples céu tapado não me faz desistir de ainda ser feliz, Ter o eterno sonho da alma desterrada, Sonho que me traz ansiosa e embevecida, Como uma hora feliz sempre adiada, E que parece nunca chegar em toda vida.

ONDE AS ESTRELAS DORMEM

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


A felicidade amordaçada, Esperançosa e despertada, Devemos ter coragem para sair pelo mundo e encontra-la, Lá em cima na colina, As árvores noiteiras, Altivas, Frondosas e majestosas, Farfalham ao vento que se detêm e faz uma curva para ouvi-las como mulheres rugindo as longas caudas de seus vestidos e saias num grande salão, E os notívagos permanecem em silêncio enquanto as copas e as folhas vergam com a ventania, Agitam-se, Revoluteiam, Contorcem-se, E sacodem-se, Assoviando acima de nossas cabeças, Acima das estrelas ainda acordadas, Devemos ter a determinação para deixar a terra do amor fraternal, Rumar incansáveis quatorze horas, Para lugares quase perdidos, Onde as ruas não têm nomes, Onde os homens querem tirar nossa fé que se fortalece serenamente, Na vastidão deste céu límpido, Azulado, Porque sempre viajamos em todas as nossas recordações, Sempre relembramos bocados de jornadas fracassadas e bem-aventuradas, Que fazemos em nossa terra, Cá tens mais um, Mulher, Um crianço, Que tirei de seu ventre, Para ver as estrelas nascerem, Cá tens mais um, Mulher, Um sonhador, Que dorme pensando onde fica o cativeiro da sequestrada.



TURNING POINT


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Ele está de malinha pronta
Ele sempre viaja
Sozinho assim?
Ele nunca apronta
O que houver que haja
Não pula a cerca até o fim?
Você é mesmo marota
Será que ele brigou com ela?
Ele não briga com ninguém
Nunca deixaria uma linda garota
E você me acha bela?
Igual a você não tem
Então por que não me leva embora?
Com pouca roupa ele não vai longe
Nem a Paris, nem a Veneza
Talvez para terra de Pandora
Ou para o Tibete e ser um monge
Fazer voto de pureza?
Pode ser um momento de indecisão
Veja o brilho em seu olhar
Então deve ser a terra de Vitória
E se forem olhos de desilusão?
Veja seu modo de andar
Não parece uma postura que sugere glória
Será que vai tomar um banho de civilização?
Pode muito bem estar feliz neste inferno
Alugar isso aqui e vender Londres?
Veja o traje dele de descontração
Faz tempo que ele abandonou o terno
Até o linho da terra de Flandres
Ele é jovem por fora e sentimental por dentro
Corpo de homem e alma feminina
Jeans, camiseta preta, flores amarelas
Nem da esquerda, nem da direita, nem do centro
Conhece alguém assim com tanta adrenalina?
Você é uma delas
Isso me dá uma vontade!
Ele tinha jeito de me vou ou perco a cabeça de vez
Alguma coisa o fez mudar de ideia
Trocando conformismo por licenciosidade
Ou idealismo por falta de honradez
Ou a França pela terra de Medeia
Não é viagem a trabalho nem a passeio
Então vai pegar aquele trem só de ida?
Deve ter sido chamado para uma emergência
Ser um substituto por falta de outro meio
Ou ajudar alguém a cicatrizar uma ferida
Mas ele parece não ter urgência
E aquela história dele escrever um script para o cinema?
Mania passageira
E aquela dele dar curso sobre o Jesus histórico?
Pregação no deserto de dar pena
É aquela dele montar uma escola para ensinar língua estrangeira?
Ressuscitação de um passado fantasmagórico
Quem ele poderá substituir?
Talvez uma tragédia recente para excomungar uma antiga
É Antígona dando continuidade ao drama do irmão?
Ou Shakespeare copiando-a para Romeu e Julieta fazer essa história se repetir
Acha que para evitar o pior devemos fazer figa?
Pressinto que desta vez não
Veja sua expressão descontraída
Bonita como a minha?
Você não toma jeito
Você já viajou nesse trem só de ida?
Estamos nele, mas não chegamos ao fim da linha
Gosto muito deste carro leito
Por que não paramos na próxima estação para ver gente?
Já falta pouco para o nosso quando e o nosso onde
Será que ele embarca e segue viagem conosco?
Acho que ele vai voar até o sol poente
Ver o onde o sol se esconde?
Ver pela última vez o último raio fosco
Tem certeza que ele nunca pulou a cerca?
Isso não é jeito de falar
Que tal um modo de te seduzir?
Está querendo que eu me perca?
E se eu me comportar?
Talvez eu possa te incluir
Olha só, o trem parou e ele embarcou ao som do sino!
Vamos sentar ao lado dele e perguntar
Desculpe-me de ser tão enxerida
Nós queríamos saber qual é seu destino
Se não quiser, não precisa falar
Vou enfiar minha cabeça na privada deste trem
Puxar a descarga 
Esvaziar minha mente
E chegar em Vênus
Onde ninguém vai ligar para minhas flatulências
Desculpe minha intromissão
Só se Vênus tivesse uma temperatura entre 100 a 150 graus
Então existiria água na superfície do planeta
Por causa de sua pressão extramente alta
No entanto a temperatura de Vênus chega a quase 500 graus
E uma vez que o ser humano é composto predominantemente de água
Você não vai conseguir soltar gases lá
Ao contrário
Lá você se tornará um verdadeiro flato
Ajudei?
Muito
Minha mãe sempre me disse que a vida é só um gás
Peguei o trem certo
Obrigado
Nossa, ele vai se perder ainda mais na vida
Perder os amigos e a família que nunca teve
Jogar fora seu nome
Recomeçar de um novo ponto de partida
Passar mais dez anos por onde já esteve
Beirar a privação até a fome
Perdoar-se em primeiro lugar
Renascer das cinzas e do seu amor próprio
Viver à margem de todas as convenções
Jamais orar como um hipócrita vulgar
Ser feliz no seu mundo alienatório
Passar o resto de sua vida sem nossas bendições