quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A BURRICE NA VELOCIDADE DO BRASIL


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Texto escrito em 30/06/11

Eu costumo escrever apenas sobre minhas próprias ideias. Não gosto de meter o bedelho em assuntos dos outros. No entanto, em 24.01.09, ao ler uma crônica do Arnaldo Jabor no Caderno 2 do jornal O Estado de São Paulo, sob o título ‘A burrice na velocidade da luz’, confesso que naquela época, não resisti à tentação de comentar cada parágrafo do texto do Arnaldo. Só hoje resolvi publicar meus comentários aqui no meu BLOG. O que faço não é mediocridade que discute a vida dos outros e nem saber mediano que discute acontecimentos. O que faço é exercer nosso sagrado direito, como consumidores de cultura, de discutir IDEIAS. Os parágrafos do Arnaldo estão em negrito e meus palpites em itálico azul claro.

A burrice mais crassa toma o poder no mundo. Claro que é uma generalização, mas acrescente complexidade da vida social, a superpopulação, o fracasso de ideologias, tudo leva ao declínio da esperança e conduz os homens à busca da “fé”. A fé é aquilo em que acreditamos contra todas as evidências. Cai o teto da igreja, os fiéis morrem e os sobreviventes continuam a louvar a Deus. E não só fé religiosa; mas política.

Não conheço algum momento na história da humanidade na qual o mundo tenha sido menos burro que o de hoje. Dizem que a Grécia clássica foi uma exceção. Eu gostaria de ter vivido na Grécia de Homero a Arquimedes só para conferir. Isto não é uma generalização, mas uma simples e maléfica constatação. O mundo é brega e sempre premiou a mediocridade. Uma exceção que eu vivenciei foram os Beatles e seus pares britânicos na música, que agradavam Gregos e Troianos, Judeus e Samaritanos, caretas e gente ‘cool’ como eu. Também não conheço algum momento na vida social de qualquer país que não fosse marcado pela complexidade. Viver não é tão elementar assim, meu caro Watson. A superpopulação poderá ser um problema somente para o pessoal do século 22. Até o ano 2050, teremos menos de 10 bilhões de habitantes e a terra, pelos cálculos de hoje, comporta, tranquilamente, 20 bilhões de pessoas. Nosso país tem terra demais para pouca gente: 22 km2 por habitante. Se saltarmos de 200 para 400 milhões não fará diferença nenhuma. Preocupantes para a nossa geração são a poluição e o aquecimento global. Nunca houve ideologia que triunfasse. Se alguém conhece uma, gostaria de conhece-la. Nunca houve esperança que não estivesse alicerçada na fé, principalmente neste país, 97% cristão. Mas eu concordo que a fé é aquilo em que acreditamos contra todas as evidências. No entanto o teto da igreja não está caindo. Ao contrário, está sendo banhado a ouro, como nos tempos das Cruzadas. Veja a igreja universal do reino de deus e seus rebentos evangélicos; eles compram todos e tudo; até o inferno já é deles. Com tal voracidade e impunidade, alguém apostaria, hoje, que em 2050 eles não serão maioria absoluta e o catolicismo menor que o judaísmo? Deus continuará sendo louvado pelos seus fiéis por um bom tempo até que eles criem algo diferente de sua própria imagem. Enquanto esse dia não chega, a fé religiosa prevalecerá. Não existe fé política. Existe fé religiosa a serviço da política, seguindo um modelo cristão que vem dando certo no ocidente desde o século 6.

Depois de um momento de esperança, de que tudo mudaria com Obama, vemos como ele é barrado pela muralha da estupidez e em breve do racismo. A democracia com suas complexidades traz a fome de autoritarismo.

É inconcebível um intelectual depositar esperança por grandes mudanças no Obama. Isso é, no mínimo, ingenuidade. Obama é igual a qualquer político americano e não será barrado pela muralha da estupidez e nem pelo racismo. Ele já está se adequando ao pragmatismo da política externa americana e ao seu protecionismo interno do qual o Brasil sempre será vítima. Em sua campanha, a palavra de ordem era ‘mudança’, mas, até agora, ele não fez nada que o diferencie da administração anterior. É verdade que ele pegou um grande abacaxi, esta crise econômica sem precedentes, mas, de consolo, lhe deram o prêmio Nobel da Paz. Alguém sabe o que ele fez para ganhá-lo? Ninguém sabe! Gandhi foi indicado cinco vezes e nunca ganhou. Alguém sabe o que ele não fez para não ganhá-lo? Nem Deus sabe! Esta premiação do Obama é tão esdrúxula quanto a escolha do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos de 2016. A democracia com suas complexidades traz mais cinismo e hipocrisia crassas do que fome de autoritarismo.

A grande sedução do simplismo (e do mal) é que ele é uno, com contornos concretos, visível. Mata-se um sujeito e ele vira uma “coisa” dominada. Nada mais claro que um cadáver, decapitado no Iraque ou na favela do Rio. Por outro lado, a democracia, pressupõe tolerância, controle da parte maldita animal, implica renúncias, e na angustiosa contemplação da diferença. A estupidez, não: ela é clara, excitante, eficiente.

O simplismo e o mal são mais sedutores, unos e visíveis nos países esculachados do terceiro mundo. Só mesmo em países como o Brasil e o Iraque um cadáver decapitado vira coisa dominada. A democracia não é uma dádiva e pressupõe sacrifícios e renuncias. Ela é, sobretudo, tolerância e respeito às diferenças. Ela é a instituição da civilidade onde a coisa animal não deveria ter vez. Angustiante (e humilhante) era a contemplação da falta de diferença naqueles ridículos uniformes usados pelo povo da China Maoista. Pior que isso, só mesmo a renúncia total à liberdade na ex URSS e em Cuba, que comemorou, no ano passado, 50 anos de sua mudança de um estado livre e corrupto para uma prisão de segurança máxima. Por outro lado, não existe diferença entre a democracia brasileira e o anarquismo iraquiano. Ambos são tolerantes, resignados e conformados com suas mazelas. A estupidez que jaz ao lado da coisa cadáver nestes países é clara, excitante e eficiente para os que governam e os que são governados, e no Brasil os governados morrem de rir com as piadinhas sobre a corrupção de seus governantes, mas não atinam para o fato de que corruptos impunes morrem de rir com as piadinhas que os otários contam sobre eles. ’Don’t you think the joker laughs at you? Ha ha ha! See how they smile like pigs in a sty. See how they snied’ (John Lennon).

É a vitória da testa curta, o triunfo das toupeiras. Inteligência é chata – com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola, explica. O bom asno é bem-vindo, o inteligente é olhado de esguelha. Na burrice, não há dúvidas. A burrice não tem fraturas. A burrice alivia – o erro é sempre do outro. A burrice é mais fácil de entender. A burrice é mais “comercial”.A burrice ativa e autoconfiante parece uma forma perversa de “liberdade”. A burrice é a ignorância com fome de sentido. O problema é que a burrice no poder chama-se “fascismo”. Há tempos, me impressionou a declaração de austríacos nazistas: “Votamos no Haider (o neonazista) porque não aguentamos mais a monotonia da política, o tédio do ‘bem’, do ‘correto.’” Sente-se no ar uma fome de chefes. Ninguém se liga muito na liberdade fraternal. O sucesso planetário dos evangélicos, as massas delirando com ídolos de rock, com ditadores como Chávez, Ahmadinejad mostram a solidão da democracia diante dos anseios por slogans irracionais, pelo fundamentalismo da crueldade prática, das “soluções finais”.

O mundo é burro e valoriza a estupidez. Vencem sempre os de testa curta porque seus preguiçosos eleitores têm memória e cultura curtas. Vencem sempre as toupeiras porque os golfinhos não se metem com política. A inteligência sempre foi chata, intrincada e desanimadora. Você encontra milhões de pessoas que leram Paulo Coelho, Stephenie Meyer e J. K. Rowling, mas nenhuma entre elas que leu James Joyce. ‘Ulisses’ complica e desola, é ‘ilegível’ segundo Paulo Coelho, enquanto ‘Crepúsculos’, ‘Alquimistas’ e ‘Harry Potters’ esclarecem e consolam. O bom asno que carrega o mitológico cristo é exaltado enquanto a coruja sábia e agorenta é afastada com terços, réstias de alho e reza brava. A estupidez não machuca, está sempre certa, vende fácil, é entendível e autoconfiante. Ela apenas parece uma forma perversa de liberdade. No fundo, ela é uma forma de confinamento inconsciente no coletivo subdesenvolvido, uma fuga do anonimato e da solidão intelectiva. No poder só ficam os tapados, pseudointelectuais, fascistas, comunistas, corruptos, amorais e ladrões de colarinhos brancos. Mas é o povo que os coloca no poder. Como disse Carl Jung, o segredo compartilhado é o cimento de coesão de uma sociedade. Se não existe um segredo, se inventa um. E eu digo que toda sociedade não vive sem um chefe. Se não há um chefe disponível, se inventa um. Liberdade fraternal? Em qual planeta existe isso? Nem no Tibete, antes da invasão chinesa, onde era proibida a entrada de estrangeiros, e onde havia uma rígida hierarquia: líderes de um lado, vassalos do outro. Eu também me impressiono com a declaração de austríacos nazistas de que eles votaram no neonazista Haider por não aguentarem mais a monotonia da politica, do tedio do bem, do correto. Contudo, o mundo inteiro anda entediado. Até mesmo os civilizados escandinavos bocejam com a chatice de suas monarquias parlamentares e constitucionais próximas da perfeição, com índices de corrupção, pobreza e violência próximos de zero e com muito pouco com que se preocupar. No ano passado, eles resolveram quebrar a monotonia e fazer algumas extravagâncias. ‘Que tal darmos o Nobel da Paz para um homem que nada fez por ela, mas que representa uma minoria segregada na maior potência econômica e militar do mundo e que, ironicamente, foi escolhido por uma maioria para governa-la? Seria a maior de todas as ironias, não?’ Os otimistas retrucam: ’Isto é um sublime incentivo às promessas de campanha de paz para nunca mais termos outro George W. Bush’. Os realistas morrem de rir: ‘O cara acabou de aprovar o maior orçamento militar da história dos EUA! Para quê? Guerras, oras!’. E os escandinavos, definitivamente, andam fastidiosos: ‘E que tal escolhermos para sediar os jogos olímpicos uma cidade falida do terceiro mundo tropical, governada pelo crime organizado e coadjuvado pela corrupção galopante de seus políticos eleitos por um povo que prima por insistir em perpetua-los como seus monarcas absolutos? Será muito divertido ver os atletas do primeiro mundo às voltas com a malandragem e bandidagem, não?’ O sucesso planetário dos evangélicos já era previsível. O ocidente vem se guiando pela fé cega há dois mil anos. Com televisão via satélite, os matusquelas levam esta estupidez para todos os cantos do planeta. As massas sempre deliraram com ídolos do rock, antes, durante e depois dos Beatles. Eu não vejo massas delirando, mas oprimidas e intimidadas com ditadores como Chaves e Ahmadinejad. Quem delirou, por décadas, com ditadores como Fidel Castro e mitológicos aprendizes de caudilhos como Che Guevara não foi a massa, mas as celebridades e os ‘intelectuais’ do terceiro mundo. Isso, sim, é burrice na velocidade da luz. A democracia continuará solitária no terceiro mundo por um bom tempo e o fundamentalismo da crueldade prática e das soluções finais está sendo importado do islamismo para a América Latina por tiranos como Chaves e imbecis como Morales.

Nos anos 60, havia o encantamento de uma nova era, com a glória da juventude, a alegria da democracia criativa; achávamos que a ciência e a arte iam nos trazer uma nova beleza de viver. Em 68, não foram apenas as revoltas juvenis que morreram; Começou uma vida congestionada, sem espaço para sutilezas de liberdade. 1968 virou o Mundo para a direita, depois de um breve e claro instante. Assassinaram Luther King, Bob Kennedy, Praga livre foi massacrada. Na cultura, os anos 70 começaram com a frase profética de Lennon de que "o sonho acabara" e, logo depois, com a morte sintomática de Janis Joplin e Hendrix, com o fim dos Beatles e com a chegada dos caretas “embalos de sábado à noite”. Parece bobagem, mas uma falsa “liberdade” careta (disfarçada de “revolta”) virou o principal produto do mercado de massas – a volta da burrice foi triunfal.

O encantamento de uma nova era nos anos 60 foi marcado pela música, mormente a beatlemania. Não se fala em anos 60 sem falar nos Beatles, um fenômeno artístico com desdobramentos sociais, mas não políticos. Realmente, a revolução musical promovida pelos Beatles trouxe uma nova beleza de viver, mas da ciência eu nunca esperei nada. A corrida espacial para a lua inaugurada por John Kennedy, por exemplo, teve apenas motivações políticas mesquinhas. Não passou de uma disputa ideológica entre os EUA e a ex URSS. Os americanos ganharam, mas da lua não ganhamos nada. Antes e depois de 68 o mundo do lado de cá da cortina de ferro sempre esteve do lado direito. As sutilezas de liberdades no Brasil terminaram em 1964. Revoltas estudantis surgem e passam como nuvens. Elas não morreram em 1968, mas, ao contrário, várias delas, coincidentemente, tiveram início em 1968 por motivos diferentes. Os estudantes franceses e mexicanos reivindicavam melhores condições de ensino. Na Argentina e no Chile as manifestações eram contra a opressão do regime militar. No Brasil, o movimento estudantil não terminou com o assassinato do estudante Edson Luiz, em 28 de março de 1968. Naquela fatídica noite de 1975, eu estava lá na PUC-SP quando Erasmo Dias invadiu a universidade com um verdadeiro exército, massacrando o movimento da UNE, destruindo o patrimônio, batendo nos alunos e prendendo muita gente (eu escapei por muito pouco). Mais importantes que os movimentos estudantis da Europa e da América Latina de 68, foram as grandes manifestações da juventude americana nas ruas contra a guerra no Vietnã nos anos 60 e 70. Líderes que contrariam as convenções e os interesses da extrema-direita burra e fundamentalista e da classe dominante são sempre assassinados. Isso aconteceu com John, Bob, Luther King, Chico Mendes, Dorothy Stang, e ainda vai acontecer com muita gente. Mas aqui no Brasil não é preciso ser líder de qualquer coisa para ser assassinado. Basta ser do povo porque a vida por aqui não vale nada. Mata-se por nada. Parafraseando minha avó espanhola, para morrer assassinado aqui no Brasil basta estar vivo. Praga não era livre nos anos 60. Ela perdeu sua liberdade logo após segunda guerra mundial e não em 1968. A frase de John Lennon não foi nada profética. Foi óbvia. Todo sonho precisa acabar. Se não acaba não é um sonho. E ninguém pode ser um Beatle a vida inteira. A decrepitude aniquila o talento. Ouça as músicas que o Paul McCartney compõe nos dias de hoje. Eu não tenho coragem de comprar um álbum dele. Leia o último livro de Platão chamado ‘Leis’ e veja o que a senilidade é capaz de fazer com um gênio. A morte de Hendrix foi uma perda irreparável para a música, mas a de Janis Joplin não. Mama Cass era melhor e, nos dias de hoje, a chapada Amy Winehouse e a encantadora Sia também são bem melhores que Janis. Caretas existem em todos as épocas. Enquanto eles divertiam-se com os embalos de sábado à noite nos anos 70, gente ‘cool’ curtia os Rolling Stones, o The Who, o Led Zeppelin, o Sex Pistols, etc. Não podemos esquecer que nos anos 60, enquanto os ‘cools’ curtiam os Beatles e os invasores britânicos, muitos caretas por aqui curtiam bossa-nova, Tropicália e jovem guarda. Eu concordo que uma falsa “liberdade” careta, disfarçada de “revolta”, virou o principal produto do mercado de massas, mas isto não é uma triunfal volta da burrice porque ela nunca se ausentou. Ela costuma migrar e passar temporadas em lugares diferentes, à maneira de vários países, inclusive o nosso, que todos os anos elegem uma cidade diferente como capital cultural. Em termos de burrice mundial, chegou a vez do Brasil.

Claro que o mundo está muito mais informado, comunicando-se horizontalmente, digitalizado pelos milagres da tecnologia da informação, internet, etc.. claro. Mas, os efeitos colaterais são imensos. Vejam nos twitter e orkuts da vida a burrice viajando na velocidade da luz. Junto coma revolução da informação há a restauração alegre da imbecilidade. Lá fora, Forrest Gump, o herói babaca, foi o precursor; Bush foi seu sucessor, orgulhoso da própria burrice. Uma vez em Yale, ele disse: “Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos USA.”

Antigamente, só a mídia televisiva e impressa podia ser ouvida e lida. As informações eram privilégios de poucos. Nos dias de hoje, com os milagres da tecnologia, não só o conhecimento esta à disposição das pessoas comuns, mas também os microfones e os espaços literários da internet. Se há burrice viajando na velocidade da luz nos twitters e orkuts da vida, ela é um reflexo da herança cultural legada ao povo através da mídia de seu país. Existe coisa mais burra do que as novelas da rede globo? Sim, existe! O Big Brother Brasil, versão erótica das banalidades globais, uma escola preparatória para jovens mulheres que pretendem ganhar a vida pousando nuas. O problema é que um intelectual como Arnaldo Jabor não pode escrever e falar da burrice manipuladora de seu patrão global, mas somente da burrice dos outros. A revolução da informação não restaura a imbecilidade, ela apenas estende aos imbecis o espaço outrora reservado somente à midia. Desculpe-me, mas dizer que Forrest Gump é um herói babaca é outra estupidez crassa. Forrest Gump é um bom filme, uma gozação total, uma paródia que faz a debilidade mental triunfar sobre a inteligência. Nada mais adequado para o mundo em que vivemos. Todos sabem que o Bush é burro. Durante sua primeira campanha à presidência, ao responder a pergunta de um jornalista, ele disse que não conhecia esta ‘banda de rock’ chamada Talibã. Mas ele não é o único burro. Ronald Reagan era tão burro quanto o Bush e os americanos o consideram um de seus maiores ídolos nacionais.

Atenção: não penso em Lula no Brasil, não. Ele é inteligentíssimo e tem a sagacidade de usar a ignorância não só como medalha de sucesso (“Eu era ignorante e venci”), mas sabe também, brilhante e pragmático, que as plataformas políticas têm de ser óbvias e de fácil leitura.

Atenção: quando se fala de burrice, o primeiro nome que me vem à mente é ‘Lula'. Ele é burro para valer, ignorante, analfabeto, como disse Caetano Veloso, e malandro. A plataforma política dele é fiel ao velho ditado de que cada povo tem o governo que merece.

Vai explicar o que é “subperonismo” para as massas do Bolsa-Família...

É claro que isso é impossível. O Brasileiro não sabe nem o que é democracia e nem conhece seus direitos.

Daí, uma das razões para o ‘nada’ da oposição atual tucana: a dificuldade de se formular uma plataforma suficientemente burra para ser entendida. No Brasil, contaminado pelo ar-do-tempo, a fome de simplismo domina a política, a cultura e a vida social. Vivemos em suspense, pois o pensamento petista dominante entre acadêmicos e intelectuais (mesmo os que se opõem, têm medo de ser “contra”) continua com a ideia de “confronto”, de “luta de classes”, de "tomada do poder”, como tumores inoperáveis na cabeça.

Não se pode esperar nada de gente como o Coronel Sarney do voto de cabresto e dos atos secretos, do Color pilantra e aspirador de pó, do bunda mole do FHC e das crias como Aécio Neves, Serra, Russef e o escambau. Como dizia um amigo meu, já que é para esculachar vamos votar no Eneas, ou, como dizia o meu pai do tempo do Jânio pau-d’água: ‘Este ano a turma vai votar no cacareco.’

Isto cria também entre nós apenas um ânimo de queixas e rancor diante da vitória acachapante do “lulismo”. Não há mais polêmicas; apenas a aceitação do atual governo como um destino inevitável.

Ele é o ‘cara’. Tem aprovação da maioria (quase 80%). Portanto, lulista é o novo sinônimo de brasileiro.

Lula não é filho do Brasil não; é o “cavalo” do Brasil – nele baixaram todos os desejos simplistas da população, que ele executa com maestria e maquiavelismo. Muita gente acha que a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de “sagrado” na ignorância dos pobres, uma sabedoria que pode desmascarar a “mentira inteligente” do mundo. Para eles, só os pobres de espírito verão Deus, como reza a tradição. Lula pensou, brilhantemente: “Sabe o que mais? O Brasil é burro demais para uma política sofisticada. Vou manter a macroeconomia que o FHC deixou e aceitarei toda a canalhice do sistema político; é a única maneira de governar.” É incrível, porque a mistura de sorte na economia mundial com esta “sabedoria da ignorância” tem dado alguns bons resultados.

Lula é filho do Brasil, é a alma do brasileiro e é correto dizer que ele é o “cavalo” do Brasil no qual baixaram todos os desejos simplistas da população, porém ele executa todos estes anseios com pura malandragem. Ele é malandro o suficiente para manter a política econômica do seu antecessor e desafeto que ele tanto criticou antes de tornar-se presidente (‘em time que está ganhando não se mexe’). Ele é malandro o suficiente para saber que é preciso ser corrupto, demagogo, ladrão e cínico para governar o Brasil (‘fui traído pelos meus amigos do mensalão’). Ele é malandro o suficiente para se esquivar de perguntas inconvenientes, para desconversar, para dizer que não sabia de nada, para fazer piada com coisa séria, para dizer que assinou um documento sem ler. Ele é malandro o suficiente para dizer que nunca antes na história deste país se abriu tantas CPIs para se apurar tantos escândalos. Nós, brasileiros, gostamos de ser enganados, e daqui menos de um ano esqueceremos que nunca antes na história deste país se viu tantos escândalos políticos como nos oito anos do governo Lula. Ele é o cara da vez. Ele foi eleito a personalidade do ano de 2009 pelo jornal francês Le Monde e recebeu o prêmio inédito de Estadista Global do Fórum de Davos. O Brasil é o burro da vez. Está descendo do quinto para o último dos infernos, para deleite do coisa à toa, e transformando-se num circo de dimensão continental, onde nós, palhaços, todos os dias fazemos rir a minoria que elegemos para nos assistir sem pagar ingresso, para mostrar a eles como somos engraçados. Como este país sempre será o paraíso dos ladrões e picadeiro para otários, o melhor é seguir vivendo e se divertir e, para se divertir, nada melhor do que ver o Lula ser eleito pela terceira vez. A corrupção nunca acabará, mas este Éden Fiscal dos criminosos será bem mais divertido com o Lula. Já que é para esculachar, é preferível o Lula gozador que oferece o SUS ao Obama ao escorregadio FHC que só faltava abaixar as calças para o Bush (‘o Iraque é um problema dos americanos’). E para terminar, esse bispo evangélico de gravata está querendo resgatar as ideias retrógradas da igreja aristotélica da idade média: ‘Na sabedoria há tristeza e quanto mais conhecimento se obtém mais tristeza advém’. And the way things are going, they're gonna crucify me (John Lennon).


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