sábado, 1 de outubro de 2016

O PORRE DE NOÉ E O PRECONCEITO CONTRA A RAÇA NEGRA (trecho de palestra sobre mitologia judaica ministrada em são paulo)


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.

Nos tempos de faculdade estudei um pouco sobre escravidão na humanidade. Depois de formado, li muito pouco sobre o assunto, portanto meu conhecimento é bem parco e superficial e não me dá condição de escrever sobre este assunto com propriedade. Portanto, não pretendo explicar o que deu origem à escravidão na humanidade. Logicamente, ninguém ignora alguns motivos óbvios, como as guerras na antiguidade: O que fazer com os prisioneiros e os civis (mulheres e crianças) quando uma nação conquista outra? É evidente, também, que a guerra não é a única razão para o surgimento da escravidão. Algo que lembro, com muita clareza, é que a maioria das sociedades humanas SEMPRE teve escravos, mas só houve cinco GENUINAMENTE ESCRAVAGISTAS: duas na antiguidade, a Grécia e Roma, e três nos tempos modernos, Brasil, Caribe e os EUA.

A maioria dos historiadores modernos que escrevem sobre escravidão na antiguidade jamais se referem a RACISMO porque na Grécia e em Roma não havia um estigma de cor, e os povos que compunham as populações escravas eram bem variados e as manumissões eram frequentes. Raros historiadores veem RACISMO como consequência lógica da equação escravo-estrangeiro-prisioneiro. Um grego poderia ser escravo na Grécia, assim como um romano poderia ser escravo em Roma, mas isto era uma exceção. Em geral, os escravos eram todos estrangeiros ou, simplesmente bárbaros. Preconceito racial para valer, aquele com o estigma de raça e cor, ocorreu nos tempos modernos: os negros trazidos da África para as Américas pelos colonizadores europeus, sobretudo os portugueses e ingleses.

Sempre me perguntei de onde veio a ideia de não apenas escravizar a raça negra mas também estigmatizá-la como inferior. E, acredito, ter descoberto alguma coisa na BÍBLIA e seus apócrifos, aqueles livros mitológicos que a maioria das pessoas do ocidente chama de livros inspirados por DEUS. Assim como o NOVO TESTAMENTO, (segunda parte da BÍBLIA escrita por judeus dissidentes e da diáspora e que se transformou no CRISTIANISMO), vem acompanhado de muitos evangelhos APÓCRIFOS e literatura NEO TESTAMENTÁRIA (comentários sobre o que é considerado CANÔNICO), o VELHO TESTAMENTO, primeira parte da BÍBLIA escrita por judeus fundamentalistas e radicais, também vem acompanhado de muita literatura apócrifa e neo testamentária. Eu tenho e li TODOS estes livros, assim como TODOS os livros sobre MITOLOGIA de TODAS as civilizações humanas. E é isso que me permite escrever com liberdade e em consonância com o mundo acadêmico que a BÍBLIA é apenas uma compilação de MITOS, nada original, pois as fábulas da BÍBLIA foram, simplesmente, copiadas da MITOLOGIA das civilizações antigas mais adiantadas, pois a Judaica era atrasada e foi por isso que ela foi sempre dominada por outros povos (Assírios, Egípcios, Babilônios, Persas, Macedônios e Romanos).

Seria muito demasiado e maçante enumerar neste curto espaço os nomes de todos estes livros neo testamentários e apócrifos. Vou dar os nomes de alguns deles somente para as pessoas que quiserem ler e comprovar tudo o que estou escrevendo aqui. Também não vou alongar-me com explicações para cada um deles. Basta um único exemplo: Midrash é uma forma narrativa criada pelo povo judeu em Israel por volta do século I antes da era comum. Outros livros pesquisados são Tanhuma Buber Genesis, Tanhuma Noah, Gênesis Rabínica, Pardes, Jubileu, B. Sanhedrin, B. Pesaim, Levítico Rabínico e Bate Midrashot. A maioria destes livros, infelizmente, não está disponível na língua portuguesa. Mas quem conhece bem a língua inglesa está convidado a dar um pulinho aqui na minha casa para conferir.

Encontrei provas de preconceitos contra a raça negra na sequência do mito da arca de Noé. Para quem não sabe, os judeus copiaram o MITO do dilúvio da Suméria e da Babilônia. O mito do dilúvio foi adaptado para criar o mito da arca de Noé. O importante aqui é saber o que a Bíblia nos diz depois do dilúvio quando Noé aportou no monte Ararat. Basta ler o que está escrito na Gênesis:

20 Noé era agricultor; ele foi a primeira pessoa que fez uma plantação de uvas. 21 Um dia Noé bebeu muito vinho, ficou bêbado e se deitou nu dentro da sua barraca. 22 Cam, o pai de Canaã, viu que o seu pai estava nu e saiu para contar aos seus dois irmãos. 23 Então Sem e Jafé pegaram uma capa, puseram sobre os seus próprios ombros, foram andando de costas e com a capa cobriram o seu pai, que estava nu. E, a fim de não verem o pai nu, eles fizeram isso olhando para o lado. 24 Quando Noé acordou depois da bebedeira, soube do que Cam, o filho mais moço, havia feito. 25 Aí Noé disse o seguinte: Maldito seja Canaã! Ele será escravo dos seus irmãos, um escravo miserável. 26 E Noé disse mais: Bendito seja o Eterno, Deus de Sem, e que Canaã seja seu escravo. 27 Deus faça que Jafé tenha domínio sobre muitas terras, e que os seus descendentes morem nos acampamentos de Sem. E que Canaã seja escravo de Jafé. 28 Depois do dilúvio Noé viveu mais trezentos e cinquenta anos 29 e morreu quando tinha novecentos e cinquenta anos de idade.

Este mito da Gênesis foi cuidadosamente editado. Cam não poderia ser culpado por ter visto a nudez de seu pai e Noé jamais poderia ter jogado uma praga no filho inocente de Cam, Canaã, porque o menino nem estava presente na cena. A frase 24 Quando Noé acordou depois da bebedeira, soube do que Cam, o filho mais moço, havia feito sinaliza um ponto vazio na narrativa, plausivelmente preenchida pelo relato da castração da Midrash. Falarei sobre o episódio da CASTRAÇÃO mais abaixo. Se Canaã nem estava presente na cena por que, então, ele foi amaldiçoado e condenado à escravidão? A resposta é óbvia: o mito foi inventado pelos judeus para justificar a escravidão de Canaã, uma terra que os fenícios chamavam de Chnas e os gregos de Agenor. E pior que isso, como ficará provado através da própria literatura e mitologia hebraica, os judeus adaptavam mitos de outras civilizações para justificar a escravidão que eles impunham a outros povos e, também, para justificar o preconceito que eles tinham contra a raça negra conforme ficará comprovado na reprodução de um texto apócrifo mais abaixo. Numa passagem da Midrash, a sodomia foi acrescentada aos crimes de Cam. Uma longa lista de ofensas é encontrada em Levíticos XVIII. Os súditos do Rei Roboão são repreendidos em 1 Reis XIV 24 por praticarem todos os tipos de abominações das nações que o SENHOR eliminou antes da chegada dos FILHOS DE ISRAELO recato sexual dos hebreus de Sem é enfatizado nesta Midrash e a bênção de DEUS é estendida a todos os filhos de JAFÉ que juntaram-se a eles.

Há vários textos destes livros de comentários, neo testamentários e apócrifos que apontam para o plágio de mitos de outras civilizações para legitimar a escravidão e o preconceito. Deixarei o leitor com apenas três destes vários textos:

1. Florearam um pouco esta história, dizendo que Noé trouxe semente de uva na Arca, ou um estoque de vinha do Éden, que ele plantou no Monte Lubar, um dos picos do Ararat. Suas vinhas deram frutos no mesmo dia, e, antes do por do sol, Noé os colheu e os prensou e produziu vinho, e bebeu à vontade.

2. Dizem alguns que no auge de sua bebedeira, o próprio Noé se desnudou no momento em que Canaã, filho de Cam, entrava na tenda e, por malvadeza, amarrou um cordão na genitália de seu avô e a arrancou. Cam também entrou na tenda e, quando se deu conta do que aconteceu, contou tudo a Sem e Javé e riu muito de seu pai.

3. Dizem outros que foi o próprio Cam quem castrou Noé que, ao acordar e se dar conta do que lhe aconteceu, bradou; Agora não posso gerar um quarto filho cujos filhos eu teria mandado servir de escravos a você e seus irmãos. Portanto, é o seu filho primogênito, Canaã, quem será escravizado. E uma vez que você incapacitou-me de praticar as coisas feias na negritude da noite, os filhos de Canaã nascerão feios e pretos. Além disso, uma vez que você torceu o pescoço para ver minha nudez de lado, seus netos nascerão com cabelos torcidos e pixains e seus olhos serão vermelhos. Mais uma coisa: uma vez que seus lábios zombaram de mim, seus filhos serão beiçudos. E uma vez que você negligenciou minha nudez, seus filhos andarão nus e seus pênis serão, vergonhosamente, grandes. Os homens desta raça são chamados de NEGROS; foi seu pai ancestral, Canaã, quem os ensinou a roubar, a serem promíscuos, a se unirem com ódio contra seus DONOS e a nunca dizer a verdade.

Depois de lerem este terceiro texto resta alguma dúvida sobre preconceito contra a raça negra por parte dos antigos autores e editores da Bíblia Sagrada?

Para quem não sabe, Javé NÃO é um personagem judaico, mas plágio de um personagem da mitologia grega. Javé é o grego Jápeto, casado com Ásia e pai de Prometeu e, portanto, ancestral da raça humana pré-diluviana. Jápeto era cultuado na Cilícia, antigo lar dos chamados POVOS DO MAR, que invadiram Canaã, adotaram a língua hebraica e, de acordo com o mito de Sansão e Dalila, cruzaram com os hebreus. Os descendentes de Sem e Javé voltaram-se contra os Cananeus, filhos de Cam, e por eles foram escravizados. Aqui temos uma SITUAÇÃO HISTÓRICA a qual a maldição de Noé deu LEGITIMIDADE MÍTICA. Cam, identificado nos Salmos, através de um jogo de palavras, com KEMI, que significa PRETO, um dos nomes atribuídos ao Egito, é, de acordo com o GÊNESIS (10:6) não apenas o pai de Mizraim (nome do Egito), mas, também, de Pute, transliteração de Ponto, os NEGROS da Somália, e de Cuxe, os NEGROS da Etiópia. Eu pensava que ir até a África para trazer os negros para serem escravos nas Américas fosse uma ideia original dos colonizadores europeus. Mas estava errado! Os judeus já faziam isso há mais de dois mil anos atrás! Eles iam até a África para buscar negros para serem escravos na Palestina. Foram estes textos contidos nas SAGRADAS ESCRITURAS que criaram a ideia de que os NEGROS foram criados por DEUS para serem escravos dos BRANCOS! E adivinhem quem adorou esta ideia?

Com o fim do império Romano houve um declínio acentuado da escravidão e esta seria mais tarde substituída pelo feudalismo. Quem preencheu o vazio deixado pelo fim do império Romano foi a IGREJA CRISTàque passou a ser a ÚNICA educadora formal e a dividir o PODER ECONÔMICO E POLÍTICO com os SENHORES FEUDAIS. Mas com a carestia e a severa falta de mão de obra barata causada pela praga, a IGREJA CRISTà REINSTITUIU A ESCRAVIDÃO. Conventos, mosteiros e todas as propriedades eclesiásticas tinham vários escravos. Padres e freiras tinham escravos e escravas domésticas e, quando o número de escravas excedia o limite da necessidade doméstica, elas eram ALUGADAS pelas freiras para famílias ricas. E vocês pensam que a igreja tinha qualquer constrangimento com isso? NENHUM! E por que haveria se na própria BÍBLIA está escrito no décimo mandamento: todos podem ter escravos! O DEUS dos judeus, adotados pelos cristãos, APROVOU a escravidão. Vocês já viram algum evangelho levantar a voz contra a escravidão? Muito pelo contrário. Os evangelhos ENDOSSAM a escravidão. A maioria das parábolas INVENTADAS por diferentes pessoas anônimas relatam, cinicamente, ralações entre ESCRAVOS e seus DONOS (reis, proprietários de terra, comerciantes, etc.) e os escravos são, invariavelmente, castigados por DESOBEDECEREM seus DONOS. A parábola dos talentos contada por LUCAS é um dos mais descarados e estarrecedores exemplos de CASTIGO DE DEUS a escravos DESOBEDIENTES, que não ajudam seus DONOS A ENRIQUECEREM. Oportunamente, publicarei um texto especial sobre esta parábola. Os evangelhos dizem: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS; AMAI VOSSO PRÓXIMO; AMAI VOSSOS INIMIGOS, mas os ESCRAVOS não faziam parte de UNS ou OUTROS, dos PRÓXIMOS e nem dos INIMIGOS!

Os nossos irmãos Portugueses já praticavam a escravidão na Idade Média, antes do descobrimento da América. Os escravos eram, geralmente, muçulmanos. Como nossos irmãos eram grandes navegadores e comerciantes, logo descobriram como trazer negros como escravos para Portugal através de tratativas com os muçulmanos do norte da África que vendiam escravos negros. Com o descobrimento da América, os colonizadores precisavam de mão de obra a custo zero para desenvolver o novo mundo. Ingleses, franceses e portugueses criaram as três novas nações escravagistas dos tempos modernos, mas com o requinte de descriminar o escravo pela cor de sua pele e instituir a ideia de que o negro era uma raça inferior. Oras, está escrito nas SAGRADAS ESCRITURAS: Deus criou os negros para serem servos dos brancos! Então, os CRISTÃOS decidiram APENAS fazer algo que DEUS consente desde que ele foi criado à imagem do homem.

Encerro o assunto com aquela máxima cristã: GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS, PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE. Os referidos homens de boa vontade não podem ser nem escravos, muito menos negros.

Discuti este assunto com um colega meu há mais de dez anos atrás e como todo brasileiro é um gozador por excelência, ele arrematou: Se o Noé não tivesse tomado aquele porre e levasse a vida numa boa depois daquele sufoco que foi o dilúvio, nada disso teria acontecido. Mas, por outro lado, nós não teríamos o Pelé.