domingo, 25 de setembro de 2016

THE BEATLES:ONDE VOCÊ ESTAVA? ALCEU NATALI, BRASILEIRO, BIPOLAR, INSCRITO NA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO DOS CORRUPTOS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98

Meu pai não era apaixonado por música, mas gostava de tê-la em casa para alegrar o ambiente. Ele comprou uma vitrola estéreo e uma coleção de LPs de vários gêneros para agradar todos os gostos. Bolero, samba, tango, música italiana e natalina, valsa de Strauss, rumba, Ray Conniff, etc. Todos os domingos o almoço era abrilhantado por melodias, como num restaurante com música ao vivo. Sem ser influenciado por ninguém, e por motivos que desconheço, tomei gosto por músicas cantadas em inglês. Minha preferida era Oh Carol do Niel Sedaka, e ela fez-me apaixonar-me por uma mulher de 20 quando eu tinha apenas 12. Nos dias de semana, meu irmão mantinha a vitrola ligada na rádio FM o dia inteiro, procurando músicas mais modernas que as de meu pai. A vitrola ficava no meu quarto e, ao som da rádio eldorado, meus ídolos, Julinho, Servílio, Tupãzinho e Ademir Da Guia, treinavam no assoalho encerado, travestidos de tampas de relógios pintadas, e batiam uma bolinha como aquela usada no hóquei no gelo. Numa tarde chuvosa, uma canção interrompeu o treino. Isso nunca acontecera antes. Um coro dizia em inglês: Eu quero segurar sua mão. Esse apelo era repetido a cada hora. Nos dias que seguiram-se, era eu quem mantinha o rádio ligado o tempo todo, esperando por aquela música. Ela era diferente de tudo o que eu ouvira antes. Não parecia ser fora do comum, mas era mais que música. Logo aquele conjunto vocal passou a revezar Quero segurar sua mão com Ela te ama e a partir de então eu só tinha ouvidos para ele. A rotina da casa não mudou. Os almoços dominicais continuavam regados a músicas populares e universais. Meus ídolos continuavam os mesmos e sendo cada vez mais admirados. Mas os intérpretes daquele par de harmonias subjugaram meus heróis do esporte e mudaram minha vida para sempre. 


video