terça-feira, 20 de setembro de 2016

PALAVRAS PARA NÃO CHORAR

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

As palavras do céu noturno, Só com estrelas temporárias, Bocejando dormentes, Numa criminosa indiferença, Por supremo sofrimento moral, De que são as únicas testemunhas, Alojam-se no corpo e na alma, E deles fazem campos de provas, Que se estendem por terrenos acidentados, De muitas e frequentes lombas, Precipitando declives abaixo, E não param nem além dos chorões, Elas querem minhas crendices, São mortas e vivas em minha vida,  Elas querem o lume de meus olhos perdidos, Pasmos e trementes, Querem a pálida cor de minha emoção, De aspecto moribundo, Mas o sangue que tenho em minhas veias, Não é apenas água chilra, Ferve e espuma junto ao mar, Elas saem em meu encalço, Pensando que estou fugindo, Porque o céu e o vento me favorecem, Tropeço e caio para lhes facilitar, Ofereço meu coração para um teste nuclear, Ele segue batendo, Forte como um trem, Mas seu balanço já não é tão macio, Elas querem me levar ao cadafalso, Na calada da noite, Úmido e úmida, Sou dado como assassino frio e feroz, Não é necessário me matar, Podem me comer vivo, Adoráveis são as palavras de Amanda, Jamais ter praia ensolarada, Jamais ter amor de graça, Ser levado pelo caminho por onde o desprezo anda, Praia sempre nublada, Ela me pergunta, Se tenho ódio da desgraça, Se tenho alguém por perto, Se tenho autopiedade, Se estou sempre só ou mal acompanhado, Ou exilado num deserto, Se ainda tenho lugar para uma amizade, Tenho paz de espírito com uma arma apontada em minha consciência, Não preciso ser surpreendido, Contem até 10 para puxar o gatilho, Adoráveis são as palavras de Larissa, Jamais ter qualquer doença diagnosticada, Jamais ter vontade de trabalhar, Ser levado pelo caminho por onde a preguiça anda,  Sempre dormir demais e acordar em hora atrasada, Meu corpo sobrevive à base de soro, Uma arma biológica é testada em minha aura, Ela me pergunta que espírito mora neste invólucro, E descobre um pobre indigente, Com o avesso encouraçado de morfina, É perda de tempo preparar uma eutanásia com uma ceia, Podem retalhar-me enquanto estiver consciente, É perda de tempo blindar minha visão, É suficiente permitir que eu abra um livro e leia uma página e meia.


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