quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CONEXÃO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Aqui no parque, As crianças são trazidas todas as manhãs, A grama cresce sem nos perceber, Os rostos sustentam proeminentes e descarnadas maçãs, O sol nasce antes do amanhecer, Em luz e geometria fundem-em os passados e os amanhãs, As folhas de outono voam a esmo por assim dizer, Todas as vezes que passeiam ao acaso pensam em tudo e em nada,  A chuva cai e sobe sem as nuvens no céu, Sempre às gargalhadas rompe a criançada, Tudo que nos toca são abelhas procurando mel, Viajamos nas recordações e relembraremos uma ilíada em cada jornada, As flores se põem nos calendários de papel, De dias contados, De bancos de jardim apinhados, Lá no parque, As crianças são levadas todos os dias, As árvores nos espiam das janelas, Nos olhos de serem meninos e meninas nota-se somente alegrias, A natureza nos pinta com aquarelas, Suas fragilidades e vitalidades se misturam e se confundem em sentimentos de envolventes e cândidas euforias, Nos troncos os corações flechados são vermelhos e no chão as amarelinhas amarelas, O vento sopra de baixo para cima, Despedem-se efusivamente dos amigos e voltam para casa em fins de tardes, Despencando das alturas a poesia vai ganhando rima, Fecham a noite e caem no sono lendo Meu Pé De Laranja Lima, De doce sabor, Em sonho reparador, Fora do parque, As crianças atingem a maioridade, Contra si e seu momento a vida não pára de correr, Expostas a erros e verdades, Gente vem ao mundo antes de ele ser, Conhecerão o egoísmo e a maldade, A lua míngua por assim querer, Cairão na tentação do meio termo entre integridade e desonestidade, Tudo que nos toca são as estrelas para poderem brilhar, Divididas entre o determinismo e a casualidade, O universo explode antes da poeira cósmica se juntar, Esquecerão a objetividade e apelarão ao divino na hora de maior dificuldade, Deus é criado por assim suplicar, Ao infinito do espaço, À eternidade de seu compasso.