segunda-feira, 19 de setembro de 2016

PLANETA CHUPÃO

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Dizem os beatos incorrigíveis que é nos dias em que vivemos, Não quando o sol extinguir seu combustível daqui a 5 bilhões de anos, Que sem percebermos, Corre solto o juízo final, E eu, Por causar tantos danos, Ser pecador reincidente, Devo voltar a andar de quatro novamente, Perder o intelecto para um instinto animal, Mais parece que a Dona Santa Inquisição só mudou de nome, Trocou o privilégio ocidental por um broadcasting global, De mãos dadas com a miséria e a fome, Incitando os fundamentalistas a partir para uma desforra incólume, Juntos, Todos criam um sem número de cultos, Fanatismos e mútuos insultos, Tudo para dar a medalha de ouro ao ódio, Enquanto o amor sempre fica fora do pódio, Desde sua criação este planeta sempre teve religiosos matusquelas, E eu, Para não ficar de fora, Só fumo baseado da hora, E me culpam por todos os males e todas as mazelas, Desde a invenção das armas químicas e da bomba nuclear, O poder destrutivo do Homo Sapiens não o satisfaz, Ele precisa testar seus brinquedos em mulheres e crianças inocentes sem pensar, Para saber de quantos genocídios ele é capaz, A corrida espacial já começou e não demora muito para a terra levar a lua de roldão, Tomar todos os planetas internos e transformá-los em novos infernos, E levar toda sua maldade para além da órbita de Plutão, Sobra dinheiro para enviar uma nave tripulada a Marte, Sobra dinheiro para que o primeiro mundo se farte, Mas falta para que o terceiro viva só de restos, Se Deus existe onde estão seus préstimos?, Nas mãos de Satanás que há muito percebeu nossa falta de noção, Ri do nosso conceito de paraíso, E investe tudo que tem em nosso prejuízo, No primitivismo e na selvageria, A morte fútil e prematura é rotina, Na modernidade e alta tecnologia, Ela é puro prazer de uma ganância predadora e assassina,  Se existe planeta chupão, Já estamos nele com seu deus brasileiro, Vê se você se liga, Meu irmão, Seu país já foi sucateado pela corrupção, E toda a sua riqueza está depositada no estrangeiro.

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RETRATO DO ARTISTA QUANDO PERDIDO

 Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)



No livro um BAZAR CHAMADO PESCOÇO DE GIRAFA Escrevi um texto chamado ESQUECER É UMA VIRTUDE, publicado neste blog. Embora o tema e seu conteúdo pareçam óbvios, se faz necessário descartar a maioria dos esquecimentos como, por exemplo, aqueles que o tempo cura. Na verdade, há muitos acontecimentos em nossas vidas que jamais poderão ser esquecidos. Virtuoso é aquele que consegue deixar sair de sua lembrança todas suas mais excruciantes mágoas. Esquecer é uma arte que não se domina. A gente só sobrevive a ela, como sobrevivemos no bom nome do nosso animal de estimação, presumindo que ele morrerá antes de nós. Isto é uma continuação afetiva da vida.  A continuação material, o viver de modo precário, cheio de dificuldades, requer muitos sacrifícios para os que vivem na legalidade e na honestidade.  Os que militam na ilegalidade e ladroagem têm verve artística, e para eles escrevi um conto chamado A ARTE DA SOBREVIVÊNCIA É UMA HISTÓRIA SEM FIM, a ser publicado neste blog. Muitos lutam para sobreviver, outros para ter mais do que precisam apossando-se do que não lhes pertence, e a maioria para não perder o pouco que a sociedade lhe migalhou. Perder é uma arte como esquecer e sobreviver. Ela não se deixa dominar, apenas conviver. Quase tudo desaparece com a ideia de perda. Tal desaparecimento é uma verdadeira tragédia grega, infundindo terror e piedade. Todas pessoas podem ser artistas. Porém, muitas nascem com males congênitos que irão lhes acompanhar até a morte. Elas se veem como pessoas que aprendem a arte de perder todos os dias. Perdem ideais de juventude, o talento latente, as boas, mas raras lembranças. A vida toda elas acumulam somente derrotas e, às vezes, alguma trégua. Lembram de uma canção que não compuseram, de um livro que não escreveram, de uma tese acadêmica que ficou pelo caminho, de antigos sonhos que são revisitados para se consolarem. Elas vivem no sisifismo, no eterno recomeço de alguma coisa. Estão num purgatório esperando um julgamento que é adiado indefinidamente. Não sabem se vão para o céu ou para o inferno. E nesta indefinição já se sentem no inferno, estertorando a morte, rangendo os dentes. Seus acusadores são seus algozes, implacáveis. Ninguém leva a sério uma pessoa que é obrigada a não dizer a verdade, a não agir com normalidade, a fugir da responsabilidade, a tirar todo espaço de seu amor para saciar seu medo, a pensar ser o que poderia ser, mas não é, por uma pobre questão de sobrevivência contra males que não têm cura, que mudam a percepção dos outros sobre ela e a percepção dela sobre ela mesma. Gente assim é odiada, ridicularizada, humilhada e isolada como um leproso. Mas elas não nasceram para serem deste jeito e o maior desejo é que seus descendentes não tenham que enfrentar o que elas enfrentam. Elas continuam vivas, têm pessoas que amam, têm coisas que ainda querem fazer com suas vidas. Ficam tristes e deprimidas por não poderem por em prática o talento que trouxeram a este mundo, por não poderem falar e viver por todas as feições que o dom que possuem lhe permitem. Elas sofrem. Ainda assim, têm momentos de pura felicidade e alegria com o simples canto do pássaro na escuridão apressando a aurora. Elas lutam para manterem-se ligadas ao mundo, com toda sua indiferença, aos seres humanos que elas poderiam ter sido. Vivem um momento de cada vez. Procuram não se torturem por não poderem dominar a arte de perder. Se revoltam, mas vivem agradecendo o tempo todo.


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O OLHAR DA COMUNHÃO


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 
É sublime estar sempre esperando por você, É feitiço que o tempo todo você nunca esteve longe de mim, Porque é este encantamento que nos faz sentir distantes, Porque é este encantamento que nos faz sussurrar orações à noite, Nos faz temer estar dentro de um momento mágico sem perceber que ele é real, Nos dá medo de que um dia ele acabe como se fosse uma fantasia passageira, Me dá o medo ingênuo de que você um dia vá embora, E leve consigo a fascinação que contagia nosso mundo, Porque são esses muitos instantes felizes que nos fazem pensar que vivemos num lugar foram do comum, Nos tornam tão importantes, Como todos aqueles que têm alguém esperando, E se a alegria que me contamina me impele a lhe dizer algo singular, Não será diferente daquilo que todos tocados pelo mesmo sentimento já perceberam, Que a vida nos destinou esta ocasião tão preciosa, Nos tornando tão especiais no mundo, Comungando nos olhares encantados, De tempos abençoados, Perseguidos pelo medo de sermos tão felizes, Celebrando a vida que sempre esperou por nós, Tendo-nos ao seu lado o tempo todo, Compartilhando a mesma magia, O mesmo sonho, Murmurando as mesmas preces, Todas ouvidas, Todas atendidas, Sob o olhar celestial de quem ao nosso redor consegue ver a felicidade sempre fazendo-se acompanhar pelo amor que move este mundo mágico.



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SORTE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 

Ô vida de uma figa, Será que preciso por um raminho de arruda por detrás da orelha? Para acabar com este fastio que me fatiga? Carregar esta mão fechada na minha pulseira? Ando cansado de derrotas, E agora estou prestes a perder algumas dessas pobres mulheres que se consideram felizes quando fracassados as levam às veredas das vergonhas, Preciso de um patuá para me ajudar a encontrar minha rota, Preciso encontrar meu trevo de quatro folhas, Ô vida dura, Será que preciso por um pé de coelho no meu chaveiro? Um espelho na porta junto com uma ferradura? Para um dia encontrar um amor verdadeiro, Ando cansado dos dias sem vencer, E agora estou prestes a perder algumas dessas noites em claro que se consideram felizes quando virtuais as levam às veredas das ilusões, Preciso da mão de Fátima para acreditar que alguém está a me escrever, Preciso bater na madeira para que ela mantenha as comunicações, Ô vida cheia de surpresa, Foi um elefante indiano que me permitiu ouvir sua voz? Foi um olho grego que me permitiu ter a certeza? De que ela me enviou seu retrato e disse que um dia quer me ver a sós?  Ando cheio de iniciativa, E agora estou prestes a ganhar alguns quilômetros dessas longas estradas que se consideram felizes quando apaixonados as levam às veredas das mudanças, Preciso de São Jorge para me ajudar a corresponder à sua expectativa, Preciso do Senhor do Bonfim para me ajudar a não perder as esperanças, Ô vida benfazeja, Foi o Senhor dos ventos que atendeu ao pedido de todo homem à procura da mulher ideal? Foi a joaninha que apareceu para a mulher que todo homem deseja? A mulher que traz consigo um olhar compenetrado sem igual, Ando cheio de sorte, E agora estou prestes a ganhar alguns beijos desses doces lábios que se consideram felizes quando o amor abre as portas que levam às veredas dos corações, Já não preciso fazer pedidos às estrelas cadentes porque sei que vou amar esta mulher até a morte, Ô vida auspiciosa, Ô padroeiro da Irlanda, pusestes um fim às minhas indagações.

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COPO VAZIO



Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 



Amo ao delírio esta vida airada ao nível da terra, Não invejo a fauna e a flora bêntica do fundo do mar, Nem o voo planado dos pássaros no alto do ar, Por que esperar sozinha por você segurando um copo vazio? Por que dançar sozinha sem você apoiando-me num ombro sombrio? Deliro de amores por esta vida de cão à flor da primavera, Não invejo a mulher unitiva em perpétua beatitude com O Todo-poderoso, Nem a mulher fácil em eterna tentação com O Todo Tinhoso, Por que restituir-me sozinha sem você de objetos corrompidos? Por que contar sozinha sem você com corações partidos? Não passo desta para melhor vida no meio de meus prazeres, Choro por quem sepulta-se num mundo ainda vivente, E por quem nele se cava indiferente, Por que iluminar-me sozinha sem você até receber seu abraço? Por que deixar-me sozinha sem você no tempo e dimensão relativas do espaço? Não passo desta para nova vida em troca de meus afazeres, Lamento quem deste mundo não se alimenta por santidade, E quem por ele morre antes de sentir saudade, Por que atravessar a mais longa noite da vida sozinha sem você por um caminho que você não trilha? Por que procurar sozinha sem você por um diamante que não brilha?

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