sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ENTÃO AQUI ESTOU PARA TE AGRADECER

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


As muitas horas nos mares apascentados com meu corpo e minha alma, As leituras à luz das palavras que calam os dogmas e transcendem a fé, As longas viagens nas mãos da liberdade que acolhem o peregrino, As árvores e seus rebentos que, congelados, frutificam pequenos paraísos, As pessoas incógnitas e os mundos do passado e do futuro que fabricam meus sonhos, As manhãs gloriosas das madrugadas apressadas que acordam minha paixão corpórea, As escolhas privilegiadas das artes musicadas que alimentam meu princípio espiritual, Os muitos deuses nas noites embaladas com meu choro e meu expurgo, Os escritos à sombra das incompreensões que desavistam as feridas e exasperam a humanidade, Os muitos erros às vistas da impunidade que indultam o forasteiro, Os pássaros e seus cantos silenciados que adotam grandes desajuizados, Os seres ocultos e os mundos do presente que preservam meus pesadelos, Os amanhãs esperançosos dos tempos fracassados que fortalecem minha obstinação, Os dias vividos das partes racionadas que me guiam por meio do medo.


THE CLOGS ARE OPEN

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 


Grandes tristezas resignadas no recôndito da sede de todos sentimentos, De amarga história ainda não cicatrizada, Entra ano, Sai ano, Fundem-se sonhos e realidades em luz e escuridão, Passado patente ao espírito do presente, Futuro com data marcada, Secam ao sol rios de ardentes aspirações, Murcham falto de claridade pastos de apaixonados desejos, Permanecem nuas árvores de frutos deiscentes, Amarga ainda é à solitária a saudade que embarga a voz, E no peito, Escaldante lava, Pousa errante nuvem, Passageira como calendário na parede, Correndo mais rápido que o tempo, Mais lenta que noites insones, De olhos brancos afogueados, Veem o nascer do dia por sombra de cortina, Fechada à queima pelos raios de Coaraci, Oh, Como doce à desacompanhada é o sussurro do anjo anunciando-lhe the clogs are open no isolamento, Abrindo livros empoeirados na prateleira, Dissipando as escórias da mesmice ralo abaixo, Deitando-lhe sob um céu protetor, Que não deixa a precipitação entrar, Nem vento uivante varrendo detritos, Nem luzes de ruas escuras borbotando formas laranjas através da janela, Nas horas do crepúsculo, Nas horas do céu noturno vermelho que apraz os pastores, Nem ladrões da madrugada, Que lhe foram caros e lhe venderam, E antes de chegado o momento de sentar-se numa cadeira de balanço com uma manta cobrindo os joelhos, Vai a um cemitério, Pensar em todas as esperanças e sonhos perdidos que jazem sob o solo, Vai a uma igreja, Pensar nas imagens e nas preces vivas que procuraram atributos que nunca existiram, Vai ao santuário da alma, Pensar nas pessoas que só se importavam com o corporal, De amor de água poluída, Enquanto se esperava pelos seus corações, Sai da touceira, Passa por uma ampla campina, Por onde a lua, Sozinha no firmamento liso, Estende sua triste luminosidade, Sai da touceira, Passa por uma vereda macia e fecunda, Por onde a primeira estrela da manhã, Radiante no horizonte, Estende sua alegre calidez, Sai do encarceramento de um casulo de algodão que se abre, Rebento com um grito de incontido alívio e felicidade, Na melodia de sua liberdade, Na harmonia de sua delicadeza, No reconhecimento de um mundo que acabou.




O PRIMEIRO BEIJO


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98


Tinha meus longes de que, Mais dia, Menos dia, Em meus lábios o teria, Chegando com inesquecível magia, Porque eram tempos, Que proclamavam aos quatro ventos, Que eram tantos os nossos momentos de felicidade, Que faziam-nos sentir estar vivendo em um lugar mágico, Que em nossa tenra idade, Em nossos tenros anos adolescentes, O que mais poderia acontecer de trágico, Eram nossos ingênuos corações falarem pelas nossas mentes, Que antes de me apaixonar, Antes de alguém dizer me amar, O primeiro a me beijar, Deixaria todos os demais a desejar.