terça-feira, 27 de setembro de 2016

PARÁGRAFOS 63 A 77 DO LIVRO VALE DA AMOREIRA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Volta e meia a morte é confundida com uma pessoa que na verdade a odeia e se Tilly soubesse desses odds and sods, esses baratos afins da morte, naquele dia lúgubre ele permaneceria parado e calmo e depois prosseguiria tranquilamente, como fez aquele franzino cabra bom, cabras às direitas, e que, ao atravessar a caatinga, inadvertidamente cruzou o caminho de Lampião e foi tomado por um jagunço, um cangaceiro manso, e se viu cercado pelo bando maldito. Mas o sujeito era mesmo cabra do colhão roxo e não se intimidou com as ameaças de Virgulino. Não o desafiou e nem o desrespeitou, mas também não fez concessões à sua neutralidade e desengajamento por isso foi logo condenado a morrer antes da hora.
Sai correndo, seu cabra da peste, e não olha pra trás. Vamos ver até onde você consegue chegar, exclamou Lampião.
Os cangaceiros começaram a armar os gatilhos e o sujeito miúdo se pôs a caminhar lentamente, a passos curtos e pernas atracadas, sem hesitar e sem esboçar qualquer gesto com a cabeça ou com os braços. Andava como se já estivesse morto apreciando a paisagem desolada do jardim do éden do sertão nordestino e como se algumas balas varando seu corpo não fizessem qualquer diferença. Ainda com o condenado bem ao alcance das espingardas, Lampião, meio escabreado, levantou a mão e gritou para todos:
Deixa-o ir embora! Este é cabra-macho e vai ser cria nossa!
É difícil precisar se Tilly era cria ou refém do medo. Ele tinha saído mais cedo do trabalho para sacar um benefício em dinheiro. Deu partida no carro, subiu a rampa da garagem, alcançou a rua, virou a direita e logo chegou na avenida principal que se encontrava com o trânsito completamente parado devido à enorme quantidade de veículos. Tilly foi se espremendo e se enfiando até entrar pela faixa reservada para ônibus e logo deu o sinal de seta para a esquerda esperando que alguém lhe desse passagem para a pista do meio. Tilly estava comprimido entre ônibus e o de trás começou a buzinar incessantemente.
Esse trânsito maluco deixa todo mundo cada vez mais nervoso. Esse cara pensa que buzinando vai fazer os carros andarem, resmungou Tilly.
O trafego permanecia preguiçosamente estático como a vegetação arbustiva do semiárido, mas barulhento como maritacas fazendo coro, e quando andava era insuficiente para abrir uma brecha por onde Tilly pudesse deixar o território dos coletivos, brutamontes impacientes. E para piorar, aquele que fungava no seu cangote resolveu cravar o dedo na buzina e espalhar por toda redondeza a presença insignificante de Tilly com um ruído espalhafatoso, feito um cancão do asfalto, a voz da mata sem cor. Tilly olhou no espelho retrovisor e percebeu que não só o motorista, mas várias pessoas com as cabeças para fora das janelas esbravejavam alucinadamente contra ele.
Esses caras são gozados. Acham que tudo está parado por minha causa e que eu tenho que sair da frente deles decolando como um helicóptero, desdenhou Tilly.
De repente, várias pessoas desceram do ônibus ao mesmo tempo, lançaram-se em direção de Tilly, envolveram seu carro, arrancaram-no para fora, vociferaram contra ele e o ameaçaram em uníssono. Tilly, quase sujando as calças, não entendeu bulhufas e tratou de se desvencilhar dos agarrões, cutucões e empurrões e saiu numa desabalada carreira avenida abaixo, largando tudo para trás, como um doido varrido agonizando em meio a um ataque de pânico, exigindo o máximo de suas pernas ligeiras e mantendo os braços ocupados como duas asas recolhidas e alternando cotoveladas e socos no ar para manter o corpo em equilíbrio, o que não lhe permitia tapar os ouvidos para silenciar os disparos ardidos que esperava queimar seu corpo e para emudecer o angustiante barulho tal qual o grito infinito da natureza de Munch e que ainda estremecia a atmosfera desde o buzinaço ensurdecedor daquele condutor apressado. E não podia também tapar os olhos para esconder o vexame, mas tampouco necessitava fazê-lo para ganhar o dom de mântis de Tirésias, pois, embora não pudesse prever se sairia desta vivo, sabia onde queria chegar e como. Ele não corria numa mata branca onde um projétil espoletado viaja livre e impune nas extensas planícies interplanálticas e trespassa com facilidade as cadavéricas e deprimentes árvores de troncos tortuosos e folhas perdidas. Tilly corria pela mata descorada feita de altos maciços de pedra e dispostos na forma de intrincados labirintos saturados de transeuntes em constante movimento de vaivém o que dificultava uma perseguição corpo a corpo e um tiro a queima-roupa. Bastava Tilly fazer o quadrilátero perfeito para voltar ao seu local de trabalho e lá chegar quase desfalecido, desabar num sofá e ser logo acudido pelos seus companheiros preocupados e ansiosos para saber o que aconteceu.
Um bando de assassinos levou meu carro lá na avenida e tentou me linchar, balbuciou Tilly antes de desmaiar.
Tilly foi levado a um hospital onde foi apenas sedado e, no mesmo dia, recebeu alta. Seus colegas foram até o local do incidente e para surpresa deles, o carro de Tilly continuava no meio da via pública, com o motor ligado e portas abertas, sem estorvar ninguém, pois naquela hora o engarrafamento encontrara vazão e o transito fluía normalmente. Um comerciante local ainda permanecia na calçada observando o veículo desde a hora do incidente e foi ele quem explicou para os companheiros de Tilly o que se passara.
Não foi nada não. Foi um pessoal que fretou alguns ônibus para ir ao enterro de um amigo que foi assassinado e eles estavam meio de cabeça quente e descontaram no rapaz só porque ele entrou com seu carro no meio do cortejo fúnebre.
Talvez fosse melhor para Tilly se a dona morte se descuidasse e o levasse, mesmo que fosse de susto, assim ele não teria que continuar levando essa vida ordinária, popularmente chamada de cheia de altos e baixos, com bons e maus momentos se revezando.
Mas, afinal de contas, todos vocês não vivem de outra forma senão com esses intermitentes ups and downs, esses sobe-e-desce, como autênticos camaleões surfando numa montanha russa e quando seus anjos da guarda já não dão mais conta vocês jogam a culpa na minha prima fatalidade, retrucou a morte.


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AMOR DOCE AMOR

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Doce madrugada
Viajo cantando com as estrelas
Indo de encontro à minha amada
Levando rosas vermelhas
Doce alvorada
Recebe-me com céu ensolarado
Levando-me aos degraus da escada
Por onde descerá um anjo encantado
Doce meio-dia
Emociono-me com sorriso tão sincero
Enchendo meu coração de alegria
Dando-me mais meiguice que espero
Doce entardecer
Dirijo segurando a mão dela
Com um olhar lindo de morrer
Não sei qual feição é a mais bela
Doce noitada
Durmo com ela banhado pela lua
Com você já estou casada
E eternamente serei sua
Doce amanhecer
Acordo cantando com os passarinhos
Recostada no peito de meu benquerer
Extasiada de tantos carinhos
Doce dia
Em lua de mel com o amor de minha vida
Sempre sonhei que esse tempo chegaria
Para reconciliar minha alma sempre dividida
Doce tempo
Só agora Deus marcou nosso encontro
Sem jamais inquietar meu alento
Porque nascemos um para o outro
Doce amor
Louvado seja quem escolheu você para mim
A espera compensou e foi indolor
Agora estamos juntos até o fim



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DONA MILAGRE


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Um olhar penetrante e estático, Lábios vincados e finos, Colados um no outro, A exprimir sua percepção incoercível, De um espírito de muita luz, E à distância, Uma voz de ouvir falar, Com sotaque estrangeiro, Dá conta de que o fruto só cai da árvore quando está maduro, E a espera causa inquietação, Porque alma que morre em guerra é muito sofrida, E a tempo e a hora, O carpo crescido, Mas imaturo, Aventura-se em mais uma leviandade, Mais uma irresponsabilidade oportunista, Para matar uma curiosidade egoísta, Faz uma visita jamais esperada, Sem nenhum propósito, Para saber se os humildes olhos de outrora têm algo mais a dizer, Para saber se as vozes inconscientemente estrangeiradas tem algo de novo a revelar, E os lábios vincados se descolam para se queixar, De perseguições invisíveis que estão sempre a lhe atormentar, Um ensejo para prolongar os encontros à espera de manifestações espontâneas, Em troca de caridade material e eloquência intelectual, Às quais é concedido algo exclusivo, Uma revelação doentia, Jesus já voltou e se pode falar com ele todos os dias, E em troca nada se cobra, Se pede apenas um favor, Consolar um casal inconformado com a perda do filho em tenra idade, Porque ninguém acredita no que sai da boca de fala mansa e dos olhos parados, Dementes e videntes, Mas a loquacidade não quer e não sabe alentar, E o olhar pungente e os lábios finos ajuntam palavras que encarecem as providências, A verdadeira caridade vem da palavra que conforta e alivia, Vale muito mais que a material, E esta última, Vinda de voz próxima e testemunhada, Dá conta de que jamais foi retida, Mas dividida entre aqueles com corpos mais carentes que os espíritos, Uma lição de moral vinda de uma esquizofrênica, Mais humana do que todos que parecem e fingem ser.

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DESPEDIDA






Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche) 
Estes céus foram nossa testemunha todos estes anos, O sol de dia, A lua de noite, As lembranças ficarão no lugar onde as deixamos, Nas noites de carícia, Nos dias de açoite, Estas paredes acolheram tantas naturezas mortas, Flores de primavera, Frutos de verão, Estes quadros deixaram marcas nas janelas e portas, Olhares de quem me dera, Indagações de por que não, Estes ares entraram e saíram de nossa vida, Nos nossos beijos, Nos nossos desentendimentos, A saudade ficará no lugar onde não pode ser suprimida, No coração com desejos, Na razão sem sentimentos, O tempo se lembrará do quanto fomos felizes, Nas noites enluaradas, Sob lençóis quentes, A vida não esquecerá porque cometemos tantos deslizes, Nas palavras desavisadas, Nos gestos imprudentes, Estes céus continuarão, esperando por outros amores, Que se doam nos momentos de prazer, Pacientes nos momentos de sofrer, Um de nós sentirá alívio e outro muitas dores, Insensibilidade de morrer, Despedida de viver.




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MARAVILHAS EXPLICADAS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

MARAVILHAS é um texto que foi escolhido como um dos vários exemplos de motivações e inspirações para escrever e que fez parte de minha palestra ministrada em São Paulo sob o título GRAVIDADE. As explicações para MARAVILHAS vêm de encontro a uma proposta do Facebook a todos seus usuários para recordar publicações do passado e postá-los na linha do tempo. MARAVILHAS é um dos textos que o Facebook escolheu para recordar. Minha inspiração para escrever este texto veio de uma mús
ica, sua melodia, não sua letra. Conforme expliquei na minha palestra GRAVIDADE, descrever o que a alma sente ao ouvir uma melodia é um desafio dos mais prazerosos. Quando ouvi a canção VALLEY OF THE DOLLS (Vale das Bonecas) da cantora britânica MARINA AND THE DIAMONDS tive uma agradável sensação de desapego, desamparo e conformada solidão. Na minha alma esta música flui como o humano a se lamentar, à distância, e, ao mesmo tempo, com admiração, ecoando uma voz desembargada e plangente pelo espaço e rompendo seu silêncio absoluto. Logo me veio a ideia de escrever sobre as sete maravilhas do sistema solar, suas principais características físicas que tornam estes fenômenos do universo espetaculares, suas conotações abstratas vindas da mitologia grega que dá nomes a estes encantos. A cada parágrafo, falo, ainda, sobre as tristezas que marcaram minha vida e que acrescentaram mais desgosto à minha alma. A terra é uma dessas maravilhas. Para falar de nosso planeta preciso estar fora dele. Escolhi um lugar próximo e desolado. A lua. E cada beleza é descrita a partir de uma das várias e grandes planícies da lua às quais os cientistas deram nomes de mares. Seguem abaixo cada um dos parágrafos do texto original, (em itálico) e as respectivas explicações para cada um deles, começando da sétima até a primeira maravilha.

No mar da tranquilidade passo os dias em silêncio só na companhia de meus pensamentos atormentados, e de muito longe vejo uma criança grandona, filha da terra, jorrando água e gelo e trombeteando mãos às armas. 

Encélado é um das luas de Saturno. Significa aquele que faz um chamamento às armas com uma trombeta. Na mitologia grega, é uma criança grandona, filha de gaia, a mãe terra. Esta lua tem vários vulcões que, continuamente, expelem água que logo vira gelo quando chega à superfície super gelada.

No mar da serenidade passo meus dias sossegados, só na companhia dos vazios deixados por almas partidas, e de lá  o dominador do tempo infinito reina na era de ouro, como o soberano da preciosa beleza, o senhor dos anéis frios e fiéis. 

Saturno é a versão romana do grego Cronos, aquele que domina o tempo, soberano do ouro. Existe coisa mais linda que os anéis de saturno vistos de perto?

No mar da fecundidade passo meus dias conformada, só na companhia da lembrança de filhos desertados, e de muito longe vejo um homenzarrão, dono de universo, ensoberbecendo poderio com uma grande pinta vermelha. 

Júpiter é a versão grega de Zeus, um homem grande, conhecido como o deus dos deuses. A mancha vermelha na superfície tem o tamanho de várias terras, é uma tempestade constante, que nunca termina e gira no sentido contrário aos ventos do planeta.

No mar da umidade passo meus dias em lamentações, só na companhia de arrependimentos que não me deixam dormir, e percebo que o separador do espaço é solitário como eu, entre o interno e o externo, parecido com uma estrela e usando um cinturão com buracos exageradamente espaçados. 

Entre os planetas pequenos e internos, Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, e os gigantes externos, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, há um cinturão de asteroides (rochas), como um enorme anel em volta do sol. Ao contrário do que pensávamos, o espaço que separa as rochas é de um milhão de km. Vistos de longe, parecem todos grudados umas às outras. Asteroides em grego significa aquilo que se parece com uma estrela.

No mar da tempestade eu passo meus dias incompreendidos só na companhia de erros encontrados nas ingênuas intenções, e de muito perto vejo a morada dos deuses declarando guerra do pedestal mais alto. 

No planeta Marte existe a maior montanha de todo o sistema solar, o Monte Olimpo. É três vezes mais alto que o Everest na terra. Olimpos na mitologia grega era a morada dos deuses, a montanha mais alta da Grécia. Marte é o deus da guerra.


No mar da intelectualidade passo meus dias ensimesmados só na companhia de meus sonhos não realizados, enquanto a fonte da vida sopra os ventos do norte e ilumina a donzela do amanhecer. 

O sol. A fonte da vida. Quer coisa mais linda que a aurora boreal? Explosões solares chegam à terra e o nosso planeta se defende com seu campo magnético e faz as explosões entrarem pelos polos, como um para raio, daí a razão daquelas lindas luzes coloridas no polo norte. Aurora boreal vem das seguintes palavras do grego: Boreal = vento do norte; Aurora = a donzela da manhã.

No mar da nebulosidade passo meus dias esgotados só na companhia da contagem regressiva para morrer, e há dentro de mim um caos do qual surge uma mãe terra com uma absurda potencialidade criadora de maravilhas que posso ver, mas não tocar.

Terra. Nosso lar, o único planeta com flora e fauna em todo o sistema. Em grego terra é Gaia. Segundo os gregos, no início tudo era caos, de repente surgiu Gaia e gerou tudo o que conhecemos em nosso planeta. Na mitologia grega, Gaia gerou todos os deuses gregos.

Leia o texto original acessando o link http://alceunatali.blogspot.com.br/2015/04/maravilhas.html. A ilustração do o texto original chama-se Mulher Solitária. A ilustração deste texto é uma concepção artística de Encélado.

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ESTRELA MATUTINA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Finalmente você chegou, Como chega a quadra de cada ano de espera, De cada dia infindável que minha saudade de você contou, Dias de folhas caídas, Pela mulher que sempre permanece bonita, Que desconhece o outono da vida, E se perde nos anos verdes que retém, De noites estreladas, Pela mulher de olhos sempre reluzentes, Que rejuvenesce através das primaveras, E relativiza o tempo morto que me detém, Vem com a noite iluminada de inverno, E com o dia ensolarado de verão, Abre espaço para mais uma estação em minha alma, Com a suavidade de seus lábios que me marejam de emoção num sol-posto de paixão, E com o esplendor do seu olhar que me serena a aflição na lua cheia de sua calma, Finalmente você chegou, Quando vinha acordando a manhã silenciosa, Lírio-do-vale oriental e resplandecente, Círio-de-nossa-senhora luzidia e gloriosa, Estrela Vésper deste seu jovial madrugador de coração errante, Mata minha nostalgia com esses olhos verdejantes de esplendor, Como prados que se deitam aos nossos pés sob um firmamento convidativo para nos acomodar, Enquanto Vênus se despede no horizonte levando um pouco do nosso ardor, Mata minha nostalgia com essa boca ruborizada de fervor, Como rosas que exalam seus aromas aos nossos corpos sobre uma gramado altivo para nos perfumar, Enquanto o sol se levanta acima das montanhas para nos testemunhar, Você é tudo isso, E faz de mim um Luiz Vieira a  cantar, Você é isso, Estrela matutina, Luz que descortina um mundo encantador, Você é isso, Parto de ternura, Lágrima que é pura, Paz do meu amor.

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SUBLIME

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

A beleza está sempre à mostra, Neste mundo de coração insensível, Nos olhos de quem a vê, De quem quer se comover, Nos olhos negros que brilham na noite cerrada, Que ofuscam o brilho das estrelas e fazem-nas recolherem-se mais cedo, Dividem com o sol o céu lápis-lazúli escondendo os corpos celestes que não pregam os olhos para espreitar os contornos graciosos esculpidos pela natureza, Dessa criatura de olhar sincero, Que não se incomoda do glamour esmeralda querer fazer-lhe companhia, De seus cabelos lisos serem encaracolados e receberem reflexos de cobre para agradar o astro rei, Não se incomoda destas palavras terem sido escritas para alguém que ainda estava por vir, E que me foi negada na vida apenas para me entristecer, E que agora são para você, Para quando você chegar, Toda minha rua te pressentir, Te cheirar no ar, Ouvir os ventos assobiarem em tom diferente para todos alertar, Ver as saias e os chapéus elegantes das senhoritas tremularem com a brisa que está a anunciar, As floreiras nas janelas exalarem perfume para exaltar nosso esprit de corps, Os toldos coloridos dos edifícios descerem e amalgamarem-se com os guarda-sois sobre as mesas nos calçadões, E lá estarei sentado junto a uma delas, Esperando você me convidar para namorar, Moça de pele de porcelana, De lábios moderados e amparados por mão delicada a expressar menos sensualidade do que ingenuidade.

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PACIENTE INDIGENTE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Ela se toca logo que se completa o elemento estável de sua conduta, De sua maneira definitiva de existir, Que a distingue das outras, Ela se toca porque quer compreender o espaço que seu ser ocupa na atmosfera, Ela se toca porque é precoce, E é nessa precocidade que o demônio faz morada, É numa alma que tem uma prematura percepção de si mesma no mundo que ele busca refúgio, Num intelecto brilhante que se intimida e se encolhe diante da opressão interior que conturba seus sentimentos e suas paixões, Levando-a a trilhar atalhos para minimizar perigos, A desviar-se da exuberância da vida, Uma vida ilhada, Sentindo-se solitária, Ainda que rodeada, Pois ela é terra e não água, Terra adormecida, Quando deveria estar desperta, Terra cansada e sonolenta, A quem é negada o sono reparador, Terra que aparenta sobejar fauna e flora, Mortificada no seu núcleo, E em farrapos, indefesa, arqueja moribunda nas mãos do demônio, Que afasta todos os que deveriam estar por perto, Repugna todos que a viram nascer, crescer, procriar e sonhar, E isola esta ilha num deserto, Tornando-a insípida, Ainda que cercada, Pois ela é terra e não areia, Terra de desprazer e tristeza em meio a desgostos e aborrecimentos, Terra doentia desavistada num leito, Mantida na sarjeta com paliativos convenientes que aprazem o demônio, O último estágio da dor humana.
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EXPRESSÃO DO AMOR

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Sua amizade sincera e espontânea que me é facultada, E uma lágrima que enruga seus olhos quase marejados, Mas severos, E que não se distraem com seus cabelos flutuando ao vento, Detém minha ânsia de antecipar-me aos seus pensamentos, E obrigam-me a descer ao subterrâneo da sede de meus sentimentos em busca de um repositório de palavras próprias para expressões tão sublimes e verdadeiras, E que lá foram esquecidas pelo tempo, E sobem-me ao peito manifestações de sua visão que deixam em meu espírito impressões profundas e inexprimíveis, De tanta suavidade no seu falar quase sussurrando, Neste seu vago e silencioso momento, Em que seu mudo contemplar no meu repousa, Como quem tem uma paixão duradoura, Como quem quer se doar por inteira, Alguém que ouve meu coração palpitar, Que não deixa se precipitar, Alguém que serena minha ansiedade nas extremidades e no centro, Que nada atina para o que sinto por fora, Mas tudo percebe o que me vai por dentro, E depois de tanto tempo que estive de você tão distante, Entre te ler e te ouvir, Entre querer te ver e te sentir, Sempre pressenti em você uma disposição muito maior que um simples romance, E agora tão próximo, Entre minha vontade de muito lhe falar e muito te explicar, Entre minha pressa de te abraçar e te beijar, Se ufana primeiro uma suprema felicidade de pertencer-te, Porque uma verdadeira expressão de amor está no seu olhar.
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HÍBRIDA: sinopse do livro O QUE FAZER QUANDO O SOL ESTÁ FRIO DEMAIS


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)
Híbrida, Não repetidora, Não questionadora, Adutora, Da sua vontade, De descer, entrar e ficar, De perguntar, De querer saber e aprender, De descobrir, Partir, subir e compartilhar, Atemporal, Não robotizada, Não controlada, Humanada, Na sua verdade, De subir, entrar e ficar, De ouvir, De querer entender e respeitar, De confraternizar, De voltar, descer e esperar, Acólita, Não anacrônica, Não icônica, Sincrônica, De seus desejos, De subir, descer e igualar, De escrever, De querer transmitir e disponibilizar, De dividir, De voltar, Descer e desvendar.

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SÓ COM ESTA ÁGUA

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

O vaivém da onda espumante, Molha e refresca num pequeno instante, Solitária água que lava a praia, Até que o dia nasça e a noite caia, Deixa marcas indeléveis de eterno som, Como duas cordas afinadas e vibrando no mesmo tom, Convida para nadar em um mar profundo, Para mostrar o que vale a pena no mundo, Troca o medo de se afogar, Pelo verdadeiro e único amigo que se deseja encontrar, Sustenta a vida à flor de suas plácidas ondulações, Com o frescor de favoráveis monções, Amalgama-se com ela como uma única alma habitando dois corpos, Endireita os paus que nascem tortos, Conhece-lhe todas as habilidades fora de forma, Destituídas de qualquer norma, Mantém a limpidez mesmo quando o mau tempo a deixa revolta, Conserva-se sempre livre e solta, Nada cobra pela sua bonança, Torna realidade o que era só esperança, Cuida com amor o que é um adorno do coração, Que só a verdade que dói pode afagar com a mão, Não é dona de novos horizontes que sempre estiveram ao alcance, Não permite que a mentira que só agrada avance, Compensa o confinamento no terço do solo imposto contra a vontade, Sem provocar contrariedade, Com dois terços de sua abundância para se escolher, Presentes de Deus que se recebe sem perceber, Compartilha o anseio de se calar, Transformando horas de silêncio no maior prazer de se conversar, Alegra-se com a paz de espirito dentro de si vivida, Que de sua boca jamais será ouvida, Orgulha-se da energia renovada por conta de um esforço que não é seu, Mas somente daquele que sem nenhuma segunda intenção o mereceu, Não revela os desígnios de sua profundeza, Só quem é amigo conhece sua franqueza, Exceto para aprofundar o espírito de quem a procura, Uma companhia que todos os males cura, Guarda as mais secretas advertências bem longe do continente, O que de melhor pode se esperar de uma confidente, E alardeia alto e bom som em terra firme quem esteve em alto-mar, Quem sabe colocar  amizade acima de amar.


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ALGUMAS MULHERES

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Sou um mulheraço, bonita e gostosa, faço muito homem de palhaço, e muita mulher invejosa, Sempre me rifei para um sortudo me comer na escola, Não por prostituição, Nem só pela grana que rola, Por pura esnobação, Quando quero sexo de verdade, Escolho qualquer gatão, E no máximo ele só consegue satisfazer minha vontade, Agora quero prosperar, Ser abastada e ter posição social, Sem ter que graduar, Sem nenhum esforço intelectual, Nada de trabalhar como boquete de secretaria executiva, Ou fazer bico de acompanhante nos fins de semana, Isto é empreitada muito cansativa, Pode me chamar de loira burra mas bem sacana, Não vou esperar por uma sorte repentina, Tipo ser escolhida para o Big Bosta Brasil dos boçais, Há outras maneiras de pousar nua em revista masculina, De fazer ensaios pelada nos sites pornográficos globais, Posso começar como piranha em porta de hotel com celebridade, Fazer-lhe o serviço completo e dar-lhe uma criança, Receber em troca uma polpuda mensalidade, Primeiro passo para acumular uma herança, Primeiro passo para acumular pensão, E de quebra ser convidada para ser apresentadora de televisão, Posso também dar uma de Maria chuteira, Enganar um jogador de futebol endinheirado e imbecil, Fabricar mais filhos para aumentar a teta e a mamadeira, E começar a limpar a bunda com notas de mil, Em pouco tempo já me sentirei como membro de um mensalão, Usando só roupa de grife e joias de afortunados, Com casas na praia e no campo, e na cidade uma mansão, Dirigindo somente carros importados, E quando passar da meia-idade, Já terei bufunfa suficiente para fazer quantas plásticas quiser, E quando já estiver queimando óleo 60 pela metade, Já terei gaita sobrando para tirar gostosões  abaixo de trinta de qualquer mulher.

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SOME GIRLS by THE ROLLING STONES
The Rolling Stones Shine A Light 2008 - Documentário de Martin Scorsese
(parte da letra original foi retirada devido à presença do ex presidente Clinton e sua família ao show ao vivo que fez parte do documentário)

Some girls give me money, Some girls buy me clothes, Some girls give me jewelry, That I never thought I'd own, Some girls give me diamonds, Some girls heart attacks, Some girls I give all my love to, I never ever give it back, Some girls take my money, Some girls take my clothes, Some girls get the shirt off my back, And leave me with a lethal dose, So give me all your money, Give me all your gold, I'll buy you a house back in Zuma beach, And give you half of what I ownFrench girls they want Cartier, Italian girls want cars, American girls want everything in the world, You can possibly imagine, English girls they're so prissy, I can't stand them on the telephone, Sometimes I take the receiver off the hook, I don't want them to ever call at all, You know, Chinese girls are so gentle, They're really such a tease, You never know quite what´s going on, Inside those silky sleeves, So give me all your money, Give me all your gold, I'll buy you a house back in Zuma beach, And give you half of what I own , Some girls they're so pure, Some girls so corrupt, Some girls give me children, I only made love to one, So gimme all your money, Give me all your gold, Let's go back to Zuma beach, I'll give you half of everything I own. 

ASSISTA NA ÍNTEGRA AO SHOW AO VIVO PELO YOUTUBE
https://www.youtube.com/watch?v=FfQ7kmhF_aU
E NÃO PERCA:
1) A irreverência dos Rolling Stones durante a apresentação de toda a família Clinton no palco antes do show começar (Keith Richards comenta com Charles Watts: I´m bushed, um trocadilho hilário com o nome do presidente Bush);
2) As encochadas que Mick Jaeger dá na bunda da convidada Cristina Aguilera em pleno palco;
3) A gozação de Keith Richards ao se dirigir ao público: Boa noite! Como o show está indo, legal? É um prazer conhecê-los! É um prazer conhecer qualquer um!
4) Apesar do som do youtube não ser tão bom quanto o original, ainda assim é possível ver os veteranos da segunda melhor banda do mundo (depois dos Beatles) ensinar como se faz e se toca música;
5) Apesar de estar na faixa dos setenta anos, os Rolling Stones continuam sendo os músicos mais bem pagos do mundo: 7 milhões de dólares (27 milhões de reais) por apresentação de apenas uma hora e meia. E, apesar da idade, eles ainda fazem mais de 20 apresentações por ano. Eles estarão novamente em São Paulo este ano. E lá vou eu assisti-los pela terceira vez.

PERGUNTA DE UM REPÓRTER A MICK JAEGER:
Quem atrai mais público, os Rolling Stones ou o Papa?
O Papa, é claro!
Por quê?
Ele não cobra ingresso e nós cobramos bem caro!

Cool, ain´t it ?