terça-feira, 13 de dezembro de 2016

SEGREDOS PECAMINOSOS


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)


Esta noite, Já adulta, Sonhei que estava roubando dinheiro de minha mãe, Como fazia com 10 anos, Esse psiquismo involuntário no meu sono furta minha alma, Como quando era criança, Requinta minha sensibilidade, Como coralistas entoando cantos gregorianos num mosteiro beneditino, Reconta meu passado, Num vago misticismo de quem ainda não acordou, Do que já passou e não foi abandonado, Meu marido tem o mesmo nome de um priminho para quem mostrei minha vagina no banheiro de minha antiga casa, E insisti para que ele a tocasse, Será que a momentânea auréola do menininho ajudou-o a esquecer este despudor? E da mulher que me tornei? Será que aprenderei alguma coisa destas verdades subterrâneas que a morte esconde aos que simplesmente a temem? Ou diante dela se abandonam ao desespero? Será que segredos assim são da família, Das moscas teimosas, Que por mais que a gente as sacuda, Elas voltam e pousam? Todos os dias se juntam tamanhos bandos de reflexões em minha consciência, Que é um barulho de meus pecados, Estas lembranças são misteriosos arranjos de minhas ideias, O ar de meus próprios sentimentos, Que dão à minha vida uaspecto imoral e pecaminoso, Quantas vezes traí Deus, E me arrependi? Meu marido com palavras, Pensamentos e atrevimentos, Com a mesma leviandade que se troca um homem por outro, Como se troca burros por vacas e bois? Quantas pessoas já matei com as inconsequências de minhas ações, Poetisa narcisista na base de cuja inspiração se descobre uma falsidade radical? Em John Keats, O sentimento de beleza traía um fundo de religiosidade que conciliava o místico e o pagão, Em mim, Um martírio que posso encobrir, Com a mentirosa placidez de meu rosto, Com minha fronte audaz.