terça-feira, 24 de janeiro de 2017

IRMÃOS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

De seus pensamentos imagino que, Para que eu me torne tão bem morigerado, Nossa mãe cria juntamente a seus peitos todas as criaturas, Filhos do mesmo universo, Todos colaços, Gerados e sustentados na resolução fraterna que depende só da vontade, E semelhança de intencionalidade consciente, Os tempos cronológicos com seus espaços tão distanciados, Perdem a razão de ser ante a intemporalidade e a transespacialidade de nossas existências, Que nos aproximam por minha intensa vibração interior, De quem se sente inferior, E que precisa que suas dores terebrantes sejam tomadas por irmãos de discreta superioridade, Guardem, Pois, Em suas casas vedadas ao meu mundo, E de vossas boas mentes, Minhas desavisadas preces, Que deveriam agradecer ao invés de suplicar, Aqui os pobres e míseros guardam seus lugares santos, E ali gente que abandonei, E mais além gente que nem sei, E acolá vossa abençoada empatia acolhe com simpatia todas as tristezas sem excessiva comiseração.


sábado, 7 de janeiro de 2017

DEVERIA SER VOCÊ

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Pássaros de diferentes espécies, Com penas de raras belezas, Embalando a alma de qualquer coração, E as tintas de suas paletas, Possuem a graça estética que é a inteligência de uma beleza sobrenatural, Os pés das aves são de jaspe moderado, E as unhas, Só podem as cores de um chinês imitar-lhes o rosado, Não sei o que em elas, Só querem me lembrar, Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois, Pouco antes de nosso amor se assombrar, Pouco antes desses passarinhos gorjearem antes do dia clarear, Cada canto harmonioso entoado como se chegasse a hora da morte, Invisíveis no pouco que resta da escuridão, E minha vigília abandonada de todo, Deve, Em breve, Ceder ao sono, E como seria doce à minha solidão, A voz e a carícia de um anjo na própria solidão, Surgem os primeiros raios de sol, As aves debandam para buscar alimentos para os filhos, Os cães ladram ao menor barulho vindo das ruas, Alegres por um novo dia que nasce, E esperam por um afago humano que nem sempre posso lhes dar, Sem um luar, Em noites a ventar e trovejar, Como sonho que alguns daqueles pássaros perderam o rumo, Entraram pela minha janela, Recostarem-se sobre meu peito, E como asas feito braços, Coçam levemente minha cabeça e meu pescoço para fazer-me adormecer, Só assim eu veria a espontaneidade de cúmplices e solidários no amor, Em palavras sussurradas ao pé do ouvido sem nenhum penhor.