terça-feira, 30 de maio de 2017

SEM SABER PORQUE

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

As cartas da juventude se perderam, Mas ainda frui o prazer de nos vermos, Ao longe, A encenarmos ao som de lira, Ponteando as estanças de poesia mélica e elegíaca, Às vezes sofremos com o olhar, Às vezes sofremos com o sofrer, Gostar sempre gostamos, Mas nunca sabemos porque, Tampouco há Senhor, Que ensina seus servos, Que padecem o tormento de mal saber, Como bolos de véspera, e pães amanhecidos, Às vezes não sabemos se nossas feridas podem curar outras, Qual salsas águas do mar a cicatrizar pedra-lipes,  devem ser belos os cristais das vozes que nunca ouvimos, Pensativas as mentes quando estão a sós, Contemplativas quando, diante do nada, sentem-se esquecidas, sem lágrimas nos olhos, que se escondem como atrizes por trás das cortinas, os contornos devem ser odes profundamente imagéticas, Podem ser afins as almas, clonagens hibridizadas que chegaram ao fim, gostar sem saber porque deve ser assim, Somos temporãos e tardios, somos tempolábeis, gigantes vermelhas que se encolhem em anãs brancas, o choro contido sorrindo um sorriso triste, ninfas que prescindem os casulos e crisalidam uma borboleta, Ódio escudeiro contra os vilões do amor.

sábado, 20 de maio de 2017

GOOD WINE ALL PARTY LONG


Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Meat Is Murder was my first close encounter with the boys from Manchester and this MIM got me on my knees. I had to know more about this next big thing. Not too long The Smiths fell into my hands and whispered in my ears they were sort of skipping stages, like jumping from a Please Please Me to A Hard Day's Night and then to a Rubber Soul and then god only knows to what next. Too soon a rumor of an even better than the real thing spread in my neighborhood on the grounds that it was an imported, hard to find and priceless Hatful of Hollow. And I paid the price which turned out to be an anticipated and expensive invitation to a big party celebrating the long awaited death of the blue blood queen of Camelot. The party's treats and traits included only caviar and vintage wine and lasted for a whole week, like in those wedding parties in the old days of Cana in Palestine of the first century of the Common Era. An inside out dressed guest at this Dead Queen party approached whom he thought to be the bridegroom and said to him: Every man at the beginning sets out the good wine, and when the guests have well drunk, then the inferior. You have kept the good wine until now. I think that guest was that Amazon bloke who wrote a review of this album stating that The Smiths are essentially a singles band. He was drunk but I think he was right; after all, every Smiths album is great and made of hit singles only. If you like good wine like that one served at Cana 2,000 years ago, I recommend you to start with The Smiths, Meat is Murder, Hatful of Hollow, Louder Than Bombs and Strangeways, Here We Come. Save this Dead Queen brand for a very special date, like your own funeral, for instances! Long live Morrissey and Marrs!

sexta-feira, 12 de maio de 2017

ANTES QUE NOSSOS TEMPOS ACABEM

 Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Encontraram água em Marte, Disse um homem ao outro, Apertando os lábios e erguendo as sobrancelhas, O outro apenas meneou a cabeça leve e afirmativamente, Os dois sentavam-se em bancos altos diante do balcão de um bar e, Para dar valor aos clichês de alambicados poetas de meia-tigela, Estavam num bar para afogar as mágoas, Consumindo etílicos e, Para manter-se fiel aos chavões, Consumindo sentimentos de culpa e diluindo pesos na consciência, Ambos estrangeiros, Como o personagem de Albert Camus, Um mais, O outro menos, Um pai de uma jovem viciada em drogas, O outro fabricante de metanfetamina, Compartindo suas desgraças, Mas não seus segredos, A distância física que os separava, Neste encontro casual, Era diminuta, A sincrônica mais significativa que pudessem imaginar, Um assunto para Carl Jung, Um remoía o que poderia ter feito para evitar a falência da filha por overdose, E quantas pessoas ele levaria, E não sabia, À morte, Por levar ao trabalho o parafuso em que entrou, Na mente do outro voavam pensamentos sobre a família que perdeu, E a peça teatral que escreveu no purgatório, O Traficante, A Prostituta E A Freira, Sobre um, Nada mais havia para dizer, Somente a ruína final que leva ao inferno, De livre vontade, Por falta de discernimento e, Para não perder de vista os provérbios reles, Por falta de esperança que morre por último, O outro limitou-se a aceitar a água de Marte como dissimulação por falta do que mais falar, E dissimulou: Também encontraram um mar na Europa, uma lua de Júpiter, Um pensava que iria encontrar a filha no céu, O outro não tinha nada a perder na terra.


domingo, 7 de maio de 2017

DOIS MILHÕES DE ESTRANGEIROS CRIMINOSOS

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)



Tenho muitos amigos, E raros inimigos, Um deles, O Quinjongue I, agora é meu amasio de gabinete, E fico honrado quando deito-me com ele na cama, Em circunstâncias adequadas, Na companhia de um grande amigo, O Esputinique, Para um ménage à trois, Estão rindo do quê? Do meu equino esgar? Já fui um prostituto vulgar, Mas mudei muito, Agora sou o mais novo boçal com faixa presidencial, O que vocês estão pensando? Nunca antes na história deste país houve um líder que reunisse tantas qualidades, De Lulista, Malufista, Neo-Nazista, Neo-Fascista, Fidel-Castrista, Evo-Moralista, hugo-Chavista, Nicolas-Madurista, E tantos outros Renan-Canalhistas, Continuam rindo por quê? Não fico atrás de vocês, O Veríssimo, Luis Fernando, Disse, Que na corrupção, Eu e vocês empatamos, Vocês sabem onde posso jogar um bomba nuclear? Onde posso mandar vocês tomarem naquele lugar? Não tenho medo de ninguém, Por que teria algo a Temer? Com meu bordel à Cunha? Com os ventos republicanos e retrógrados soprando a meu favor, E os seus às más lufadas? O que me torra a paciência são estes chicos muralistas, Com esses chinos sentados em cima, Vocês sabem onde tem mais petróleo iraquiano para eu roubar? Onde tem mais afegãs para eu estuprar? Onde tem mais sírios para eu chacinar? e aí, neste quinto dos infernos, não sobrou nada para eu surrupiar? Do que estão rindo agora? Da minha boquinha boqueta, ou do meu bundoril? Vão todos vocês pra minha mãe que me pariu, Por que não posso falar palavrão? O Barracobama já chamou o esputinique de burrão, O Jorge Da Freguesia Do Uóchintom foi chamado de bundão, O idiota do Jota Dabliu buchi de meu irmão, E o tapado do Ronaldo Reigam batizou meu porta-avião, Mas a bomba atômica que vou jogar na cabeça do meu concubino vai ter meu nome: Pato Donaldo Funâmbulo Patibular Tromposo.